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29 de ago. de 2013

O adeus a Loanda

Chegou ao fim o ciclo Loanda. Após 1 ano e 1 mês respirando os ares rurais do extremo noroeste paranaense, eis que a decisão foi tomada: Weslley agora é definitivamente servidor da APS Astorga (o processo de remoção se iniciou em dezembro de 2012, época em que eu me inscrevi para ser removido).

Sinceramente, eu não queria ir agora. Eu já sabia que isso ia acontecer, uma vez que eu fui o único candidato homologado no processo de remoção; mas esperava ao menos terminar o ano de 2013 na APS Loanda, principalmente pelas circunstâncias específicas da agência local, como servidores cedidos, viajando ou de férias, e a demanda local aumentar a cada dia. Mas não deu pra segurar mais, e tive que deixar esse povo bacana que trabalha e mora lá.

Esse ano que passei longe de Maringá foi alucinante. Ficaria horas contando tudo que passei lá [e ainda omitiria muuitas coisas rs]. Cada dia estressante [ou não] no trabalho, cada saída com o pessoal do serviço, no Crusco's Espetinhos, Pizzaria Bora Bora, festinhas na casa da Denise rs, etc, e claro, nossos passeios memoráveis no Porto Rico *-*. Ainda, os cultos na Ig. Avivamento Bíblico e o pessoal massa de lá, com nossas idas ao cachorrão da Martinha, os xurras na igreja e na minha casa #SobradoVerde, o memorável acampa de Terra Rica, as duas edições da Noite da Nutella, e tantas outras coisas. A natação, o pilates e as corridas no Centro Social também completaram positivamente meus dias.

O que dizer da busca incessante pelo por-do-sol? Vários cliques em Loanda, Santa Isabel do Ivaí, Porto Rico, Santa Cruz de Monte Castelo, São Pedro do Paraná. A sensação de liberdade era incrível! Era só pegar o carro, seguir pela rodovia, e buscar um lugar legal. Preferencialmente deserto. Acompanhado [rs] ou não. Em cinco minutos já saía da cidade, sem trânsito, sem problemas, sem burocracia. Ahhhh :)

Quantas sensações diferentes nesta cidade! Momentos de alegria, de liberdade.. outros de raiva e saudosismo. Amor. Paz. Descobertas. Solidão muitíssimas vezes, aos fins de semana, principalmente... mas não quero me deter nos sentimentos negativos. Poderia citar os perrengues passados nos primeiros meses, quando vínhamos de ônibus ou de carona. Mas, na real, foi engraçado. Hoje dou risada, e lembro sem pesar. Poderia também ter me esforçado mais em muitas coisas. Mas, enfim, aconteceu como aconteceu. O melhor de tudo lá, foi que eu me permiti ser feliz, ser eu mesmo [ou buscar pelo meu eu-mesmo], sem barreiras, sem limitações, sem medo das críticas, da pressão social, do olhar atento dos conhecidos, que esperam sempre pelos nossos erros ou acertos. Não me preocupei, apenas. 

Mas é isso. Me despeço assim daqueles ares rurais (nessa parte, vai um "Viva!" rs), daquele cheiro de sítio que vinha muitas vezes pela janela, daquele povo simples e provinciano, daquele trânsito pacífico e muitas vezes ausente, daqueles belos cenários para ver o sol se por, de amigos que levarei pra sempre em meu coração, de pessoas que me marcaram pra toda a vida... posso dizer que foi intensamente cativado, nem tanto pelo lugar, mas pela família que encontrei naquele lugar. 

Não pensei que seria assim, mas foi difícil me despedir. E está sendo, está doendo. Um misto de sentimentos paradoxais, um contraste de reações. É legal voltar, mas não é legal renunciar a uma vida já arquitetada ali. Mas creio que logo as coisas vão se ajeitar aqui [dentro de mim]. Enfim....

Obrigado por tudo pessoal. Obrigado mesmo. 

Agora, #partiu descobrir o que Astorga tem... rs.


















21 de ago. de 2012

20 dias longe de casa

A vida longe de casa é... cansativa.
Não é fácil. Se acostumar a cada coisa nova, cada simples desafio do dia-a-dia pode ser complicado. Não que seja tão complicado, mas tudo é digno de apreciação: cada esforço, cada coisa que necessita de um gesto seu para dar certo. Enfim, agora não tem mais ninguém por perto para deixar as coisas em ordem pra mim.
Cozinhar, limpar, lavar, viver. Tudo individualmente, tudo de maneira independente. Se antes eu achava que morar num quarto separado da casa era sinal de independencia, hoje percebo o quanto estava enganado. Minha mãe estava sempre ali, meus pais sempre no controle, fazendo tudo. Eu só ia no embalo. Era absurdamente dependente e não percebia.
Hoje percebo. Aqui, há 160km de casa. Como era fácil a vida! Hoje a rotina é um pouco mais pesada. Como disse, tudo depende de mim. Nada acontece [incluindo aqui o feijão a ser cozido, a porta a ser trancada, as compras a serem feitas] sem que eu precise me mover em direção a isso. Nada! Será que isso é ser independente? Bom, se for, estou aprendendo a viver com isso.

Nesses primeiros 20 dias, fiquei por duas semanas com dor de cabeça.
A comida do restaurante acho q tava me fazendo mal
Agora estou fazendo minha propria comida..
Já fui pra casa, já revi minha familia, cadela e quarto e chorei de saudade
fiquei triste novamente por te-los q deixar
Já repensei minha volta pra cá, no domingo a noite
ouvi muitos conselhos
Já fui assediado no mercadinho da vila
me esqueceram na rodoviária de Paranavaí
rs
fizeram festa pra mim, pelo meu primeiro aniversário fora de casa
tive diarréia e fui pro hospital [aquilo que mais parece um açougue clandestino]
Já cortei a mão fazendo comida
Já aprendi a descongelar e recongelar um frango
Já comi um lanche sozinho na praça central, em pleno sábado à noite
etc.