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30 de mai. de 2016

Cada momento é único


Cada momento é único.

Longe de mim querer parecer retórico demais. Mas é.

Longe de mim querer parecer lugar-comum, mas sim.

A vida passa rápido e quando percebemos, já é junho. Quando nos damos conta, mais um aniversário. Ao nos atentarmos, já passamos por diversos sonhados momentos pelos quais esperamos por muito tempo, e constatamos que: não os gozamos satisfatoriamente.

Este ano, pela primeira vez na vida, estive em uma roda gigante. Com uma amiga de longa data. Bom, não era um momento tão esperado. Nunca idealizei nem planejei isso. Mas aconteceu. E querendo ou não, era um momento único. E assim que eu desci do brinquedo, lá no meu íntimo o meu subconsciente (ou minha própria consciência, eu sei lá) já me acusou: 'você nem aproveitou, nem viu o que aconteceu'. Envergonhado de mim mesmo, constrangido de maneira curiosa, eu poderia me defender dizendo ser culpa do Snapchat, e de todos os vídeos e fotos maneiras que fiz (afinal eu fiz!). Mas não ousei ser tão descarado. Eu sabia: eu vivi mas não senti.  Logo, nem sei se vivi. A culpa foi minha.  A culpa por não curtir o momento, por não o espremer ao máximo até tirar todo o caldo de satisfação e proveito era unicamente minha.

Cada momento é único.

A roda gigante é um fato simbólico. Retrata bem a situação, mas nem estou me importando tanto assim com isso. Eu me importo, sim, com dezenas de outras situações, de vivências diárias, de experiências singulares às quais me submeto cotidianamente, porém que passam desapercebidas ante minha sensibilidade. Eu me preocupo sim, e sofro inclusive, ao perceber que poderia ter feito mais. Ter sentido mais. Tocado mais. Ficado um pouco mais. Vivido mais intensamente cada segundo daquela proposta que me fizera o dia. Ter contemplado os detalhes e explorado as minúcias até a exaustão. Ter me soltado mais. Ter usufruído aquela companhia, aceitado aquele encantador e irreverente convite sem me preocupar demais com o depois. Ter sido tudo o que eu poderia realmente ter sido.

Porque o tempo não volta. Aquela oportunidade, certamente, também não. E o remorso ou a culpa é o novo ente de estimação que agora você, é muito provável, terá que aprender a lidar.

Ouvi uma vez que a vida não vem com manual de instruções, e que os erros são parte inseparáveis deste grande aprendizado. Eu concordo. Discordo, porém, de qualquer discurso que atribua unicamente às circunstâncias a culpa por nossos equívocos e tropeços. Cabe a nós lutar pela construção e manutenção daquilo que precisamos e almejamos. Inclusive seus detalhes, sua intensidade.

Que a cada nova situação, cada novo dia, eu possa me entregar mais, sentir e degustar de maneira nova e duradoura tudo o que a vida tem a oferecer. Absorvendo aquilo que de melhor há para ser absorvido, e renegando as impurezas e radicais livres que não necessitam ficar. Certamente as oportunidades do passado não voltarão a se apresentar no futuro, da mesma maneira que um dia se apresentaram. E nem eu serei mais o mesmo. É a lei do tempo, das cicatrizes. Como já disse Heráclito de Éfeso, "o homem que volta ao mesmo rio, nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem". Entretanto, a vida continua, o tempo não para, e cada nova hora é um nova oportunidade de fazer tudo valer a pena. De novo e de novo. Com mais sabor. Com mais prazer. E cada momento será sempre único.

8 de mar. de 2015

Não se esqueça, vó.. pois jamais me esquecerei


Eu queria saber como começar algo assim, mas é bem difícil. 

Eu poderia iniciar pelo hoje, e fazer uma digressão temporal, voltando no tempo data a data, até chegarmos a um princípio. Ou poderia começar lá por 1988, quando a senhora foi pega de surpresa com a notícia da chegada do primeiro neto. Eu adoraria saber como a senhora reagiu à ideia de ser avó, logo a senhora, Dona Irene, sempre tão vaidosa e inimiga dos sinais do envelhecimento.

Mas ser tão racional assim é tarefa um tanto árdua neste momento. Eu prefiro me entregar à emoção. Eu prefiro deixar que as lembranças surjam pouco a pouco na minha mente, nesse embalo de múltiplos sentimentos que explodem no meu peito, no meu âmago, na minha essência.

Cada neto teve suas histórias, e as minhas, sem dúvidas, foram muito especiais...


Sempre fomos muito próximos. Me lembro que por um bom tempo na minha infância eu dormia com a senhora, naquela cama larga e gostosa, com cheirinho de vovó. 

Sua casa também era minha casa.

E quantas e quantas vezes assistíamos ao Silvio Santos nos domingos à noite! Em nome do Amor, Topa Tudo Por Dinheiro, e o seu preferido: Programa Tentação. "Aonde a vaca vai, o boi vai atrás, aonde a vaca vai, o boi vai atrás.." E tinha a música de abertura de O Cravo e a Rosa. Chocolate com Pimenta, Malhação, e tantas mais que víamos juntos..

E recordo perfeitamente o dia em que a senhora me disse que eu já estava grande demais pra continuar dormindo lá na sua cama. Confesso que não gostei muito. 

Fui então transferido para aquele colchão de solteiro que a senhora cuidadosamente arrumava ao pé da sua cama, uma caminha gostosa, naquele chão de tacos; colchão aquele encabeçado pela sua antiga máquina de costura. Sabe, eu adorava brincar no vai-e-vem daqueles pedais. E assim foi por anos..

Ao acordar de manhã para ir à escola, aquele leite com chocolate na caneca vermelha. E as bolachinhas de maizena que ficavam na lata. No armário.

E o pão-de-ló que eu tanto amava. E o pudim. A calabresa feita na frigideira. Os nuggets de frango no entardece do horário de verão, enquanto eu jogava bets na rua. E a polenta com carne moída naquela travessa de vidro. O feijão com um caldo bem ralinho por cima...

E todas as vezes que pedia minha ajuda para cilindrar o pão. Ou para fazer aquelas bolachinhas que eu tanto e tanto e tanto amava!

E quando me dava uma nota de dois reais e me dizia que era pra comprar alguma coisa diferente, que eu tinha vontade de comer. Eu nunca disse antes, mas isso me quebrava inteiro por dentro..

Ou então quando eu ia de bicicleta na casa da mulherada fazer cobrança das lingeries que a senhora vendia. Às vezes eu ganhava um trocado e virava a criança mais feliz do mundo!

O barulho de seu carrinho de feira nas quartas de manhã em direção à rua Caracas. O pastel da feira.

Aqueles pedacinhos carinhosamente cortados de mamão e melão que a senhora levou pra mim num saquinho, lá na Feira de Ciências do colégio Pioli, enquanto eu cuidava da exposição.

E quando me levou para ver a Catedral de Maringá enfeitada para o Natal, e eu tive aquela dor de barriga horrível e fui usar o banheiro público da praça. A senhora ficou preocupada, mas foi engraçado.

E a senhora cantarolando "Tomara que chova três dias sem parar, Tomara que chova três dias sem parar" após períodos longos sem chuva..

Lembra de suas orientações financeiras sobre como eu deveria ficar com apenas 10 ou 20% do meu futuro salário, e dar o restante para os pais? rsrs 

E todas as vezes que me pedia para não ir embora, pois já estava muito tarde, estava à noite e era perigoso andar sozinho por aí. E que no outro dia teria que voltar mesmo, então já fica e dorme e pronto.

E aquele natal na casa da tia, quando o papai noel me deu uma caixa de bombom,e eu achei incrível, pois nunca antes na vida tive uma caixa de bombom só pra mim! Mas eu abri e não tinha bombom. Tinha uma linda camiseta azul que a senhora comprou. Eu fiquei triste mesmo assim porque queria o bombom, ta. Me desculpa rs 

E era incrível a nossa química no amigo secreto em família! Quantas e quantas vezes eu tirei a senhora... aqueles vasos, enfeites e mimos que a senhora tanto gostava!

E todas as vezes que, eu já morando bem longe, a senhora reclamava: o Weslley não vai vir aqui esse fim de semana? Cade ele?... Eu fiz o bolo que ele gosta. Por que você não veio ontem? Mas já vai embora?? Senta aí, tá muito cedo ainda.

Eu não vou ter do que reclamar. Só agradecer. Eu só queria que a senhora fosse muito feliz, sempre. 

Te ver sofrer me fez sofrer e por isso prefiro lembrar de tudo de lindo que vivemos. 

Hoje sua mão já não pode mais apertar a minha, como no domingo passado naquele hospital.  Já não posso afanar seus cabelos finos e castanhos. Já não tenho seus beijos molhados e seu "Deus te acompanhe". Ainda não concebi a ideia de que tudo isso está realmente acontecendo. Mas tudo espero que a senhora não se esqueça de nossa última conversa, naquela triste sexta, quando a senhora já não podia pronunciar uma palavra sequer, todavia me acompanhava com seus lindos olhos esverdeados  e seu coração quebrantado: a gente ainda vai se encontrar, e se abraçar, e rir muito juntos. Não se esqueça, Dona Irene, porque eu não vou me esquecer.

Até lá, vai ficar um espaço aqui, um vazio que ninguém nem nada poderá preencher. Esse espaço te pertence. Ele é só teu, minha linda. Minha segunda mãe. Senhora de meus fins de semana, dos almoços de domingo, e de toda minha vida. Eu te amo, vou te amar hoje e pra sempre. 



Já com saudades imensuráveis, 
seu neto Weslley.








1 de mar. de 2015

Inércia

Aquele momento em que você sabe que deve agir e não age.

Você espera a semana toda pelo final de semana, e quando ele finalmente chega você não tem vontade de fazer nada. Todos aqueles planos previamente formulados esbarram na sua preguiça sabatina e apatia dominical. Inércia.

Você se defronta com uma pessoa precisando de uma ajuda. Um conselho, um dinheiro, um lanche, uma oração. Mas você se limita a pensar: será que é realmente necessário que eu o faça? Inércia.

Você sabe que precisa dedicar-se aos estudos para conseguir algo melhor em sua carreira profissional. Mas os atrativos do ócio são tantos né? Internet, aplicativos, TV, amigos, tempo livre e diversão. Deixa pra depois. Inércia.

Você sabe que uma vida saudável depende inclusive de exercícios físicos num trabalho contínuo. Mas pra que começar academia ou a correr no parque hoje se posso fazer isso no mês que vem? Ah, e tem também a Internet, aplicativos, TV.. (acima). Inércia.

Sabe que precisa dizer às pessoas queridas o quanto elas são amadas por você. E fazer um carinho. Dar um abraço. Um mimo. Um gesto de gratidão. Um "eu te amo". Mas sabe como é, essas coisas são complicadas...

Inércia.

Vai ficar admirado quando perceber que, às vezes, as segundas chances nunca chegam.

11 de mai. de 2014

Síndrome da Adolescência Tardia

Estou de aparelho nos dentes. Infelizmente, pois isso dói demais. E não só pela dor.

Parece que a sequência temporal lógica dos fatos da vida se inverteram totalmente na minha vida. Coisas que eu deveria ter vivido há alguns anos, estou vivendo agora. Me sinto na auge da adolescência aos 25 anos. Aparelho nos dentes. Roacutan para a pele. Paixões platônicas e relacionamentos mal resolvidos, com direito a crises existenciais e descobrimento de minhas próprias vontades. Flertes, medo, dúvidas. Crise, caos, WTF?

Eu deveria estar me preocupando com meu desenvolvimento profissional, com família, negócios imobiliários,  amadurecimento. Mas os conflitos juvenis permeiam minha mente todos dias, num desenrolar cotidiano de coisas novas, experimentos, dúvidas, aventuras e frustrações. Me sinto tão atrasado! Confuso!

Naquela época, predominavam a timidez, o conservadorismo e a falta de recursos. O medo, a incerteza, a baixa autoestima, a tentativa de ser adulto antes da hora. Hoje percebo o quanto confundi as coisas. A adolescência que não tive na época certa, decidiu vir agora.  E com força total. Espero superar essa somatória toda de coisas, fatos e sentimentos. Deus me ajude!

24 de nov. de 2013

Um olhar, um suspiro

Você se pega assim meio desnorteado.
Sem direção, sem referência, sem qualquer bússula.
E não se enquadra mais nos moldes de antes,
na forma pré-definida de si mesmo. Porque você já não é mais o mesmo.
E percebe que seu acordar é diferente,
Seu levantar é diferente, seu respirar é diferente.

Respirar? Ahh, respirar...
pausadamente, e num movimento de profundidade, respirar.
Como se fosse seu último fôlego de vida... respirar.
Com tamanha intensidade, e com espantosa frequência,
que fica quase impossível de disfarçar.

E de praxe o mundo gira, mas aqui não gira igual.
A vida segue, porém aqui ela vai além disso:
Ela segue com uma gama de incríveis sentimentos e sensações
apensados de maneira nunca antes vista, onírica, esplendorosa.
Sensações que trazem cor e significado
aos mais minuciosos detalhes de uma rotina cinza, monocromática e estável.

Olhos cativos, sorrisos bobos, expressão despretensiosa que denuncia.
Denuncia que o que era antes já não é mais,
Antes, deu lugar ao que não era,
sendo feito novo, num ressurgimento platônico
daquilo que de mais lindo pode acontecer:
Um olhar. Um suspiro. O Amor.


28 de jun. de 2012

As dimensões da vida














Hoje foi um daqueles dias mágicos, em que encontramos aquela dimensão da vida que geralmente está meio oculta. 

Aquele momento em que você não pensa, simplesmente vive. Simplesmente se joga. Aquele momento em que não existe o peso existencial de nossa rotina, de nossos afazeres, de nossos deveres. Existe apenas o sorriso, a graça de contemplar e sentir a vida.

Aquele momento em que mesmo a dor parece coadjuvante. E acho que esse deve ser seu real papel: o de coadjuvante. Mera interferência, descreditada.

E então, olhando o sol, a grama, o vento e os jovens, pude perceber o quão mesquinha pode ser a dimensão em que normalmente vivemos. O quanto ela pode roubar de nossos dias e de nossa disposição em viver diferentemente. 

Foi isso. Um choque de dimensões: aquilo que é, e aquilo que poderia ser. 

E então eu me lembrei de tudo que vivi. De tudo que já sonhei. Das causas pelas quais guerreei. Essas mesmas causas que abandonei durante o percurso, talvez por me deixar sufocar pela realidade mórbida e cinza que a rotina nos imprime.

Uma dimensão áspera e amargamente monotônica em conflito com uma dimensão colorida e vivaz. Tipo um duelo, um conflito, uma dança no ar entre duas realidades diametralmente opostas. E eu, do alto de meu assento, na sombra daquela magnânima árvore, apenas contemplando.

E eu gostei. Curti. Contemplar o embate foi ótimo. 

Estar algumas horas naquela dimensão que  nos permite "ser", na plenitude de nossa existência, foi o que de melhor me aconteceu nos últimos tempos.

Olho pra trás e percebo o quanto perdi, por viver limitado numa dimensão de mesmice, culpa, monotonia e desalento. Mas hoje me lembrei que existe algo que vai além de tudo isso. Além do medo, da amargura, da desesperança, da rotina, da agenda, dos compromissos, da falta de compromissos, da indiferença e da dor.

Hoje, pelo menos hoje, posso escolher em qual dimensão estar. E assim posso reconhecer que mesmo que a dor do momento seja inevitável, o sofrimento, todavia, há de ser opcional. Sim, é isso.

Hoje eu escolhi ser feliz.



1 de mar. de 2012

Vênus, o céu e eu: paixões de um jovem astrônomo

Há quanto tempo eu não ficava assim, parado de madrugada olhando pras estrelas no céu?

Ontem conversando com um amigo pela internet, perguntei como ele se sentia fazendo 19 anos. Eu disse que os pais deles, apesar da idade, devem considerá-lo com um eterno bebê. Filho único, sabe como é. Mas ele me surpreendeu e disse: "pros meus pais eu sou um 'quase' adulto". Eu repliquei dizendo: acho que já deixei de ser um 'quase'...

Respondendo à minha pergunta: Há muito tempo. Muito tempo que não parava para contemplar as estrelas. Havia me esquecido de como são belas. Belas não, são incríveis! No calor da emoção, me peguei sussurrando: "não há nada, nada mais maravilhoso no mundo do que o céu. É incomparável!"

As lembranças do passado me fizeram viajar. O brilho avermelhado de Marte sobre o pé de jaca (Ah, Marte!!), Sírius ostentando toda sua magnitude, se gabando de ser a estrela mais power de nossa abóbada. Canopus logo ali, batendo aquele escanteio. E as constelações?? Órion, Cão Maior, Cruzeiro do Sul, a fabulosa [e mais bela de todas] Escorpião, e todas as demais que já nem me lembro o nome!!

Isso, nem me lembro. Quase nada restou daquele adolescente 'lunático' e apaixonado por astronomia, que passava horas estudando as construções estelares. É que deixei de ser 'quase', e cresci. Quando crescemos, adquirimos a irritante capacidade de nos preocuparmos. São tantas as preocupações que, até mesmo aquilo que nos fascinava e inspirava nossos sonhos, deixam de ser protagonistas e passam a mero sedimento, num lugar muito escondido, de nossa personalidade. Sim, sedimento! Estão lá, sufocados em algum lugar profundo e obscuro de nosso caráter, esperando, de alguma forma, que a gente se lembre que um dia aquilo foi importante pra gente, que aquilo fazia nosso mundo melhor.

Infelizmente hoje não há tempo pra tudo isso. Aquele pré-adolescente da 5ª série que, pela paixão a uma garota, descobriu em um trabalho dela que a Estrela D'Alva, aquela que brilhava perto na Lua no pôr-do-sol era, na verdade, Vênus (e era o ser mais fabuloso da noite!), já não existe mais. Quer dizer, existe sim. Só que está sufocado, procurando a menor oportunidade pra viver de novo. Quer saber, vou deixá-lo sair por alguns instantes, e reviver o que de mais belo um dia eu já vivi. Talvez seja o que está faltando: a graça da infância misturada aos palpites oníricos da juventude.

Não há nada de mais esplendoroso que o Universo e seus milhares de brilhos múltiplos. Tanta escuridão, tanta luz, tanta história. Deus é fantástico. 

E se Marte já me emocionou, espera só até eu me reencontrar com Vênus... vai ser demais.

13 de nov. de 2011

SENSAÇÕES


Enquanto a chuva cai lentamente lá fora
Fico aqui deitado a pensar,
A olhar intensamente para esse infinito de sensações...
Ora para o laranja vibrante da parede protagonista;
Ora para as folhas de cor verde-escuro da jaqueira,
que são sutilmente balançadas pela brisa
quase que perene dessa estação –  fora de estação.

Lá, pouco abaixo da veneziana cor de ouro envelhecido,
Encontra-se aquela mimosa banqueta de madeira,
Fruto de mãos marceneiras cheias de inspiração,
Sabiamente desenhada e maquiada com verniz.
Sobre ela, um comprido copo de cor rosa-choque
Lembrança de outras festas, e que agora
Não passa de peça de decoração. Na verdade, sempre
Esteve fadado a isso: mera alegoria.
Ao seu lado, o tic tac incessante dos ponteiros dourados que,
A despeito de qualquer labirintite, percorrem a face polida
Da rocha verde-petróleo, transformada em utensílio humano.

É o artificial mais o natural. 
Mais o artificial, menos o natural.
O homem sempre muda.
Ou sempre tenta mudar.
E eu continuo olhando, e sentindo...







*Fruto de momento de reflexão com a Bia, 
homenagem a ela.

18 de jul. de 2011

Não deu... e agora?

Não saiu ainda o resultado da primeira fase do exame da Ordem, mas estou sem grandes expectativas. Sendo realista, não tenho muitas* chances.

E agora? O que fazer?



Simples: nada. Há o que fazer? Não... Ah sim, estudar e me preparar para o próximo, que tudo indica ser no final deste ano.



Nesta hora o sentimento de frustração vem. É inevitável. Aquele sentimento sombrio de que "não fui capaz"...

[...]

Me lembro perfeitamente do meu primeiro do vestibular, aos 17 anos, no final do terceirão. Minha pontuação ficou abaixo da média. Eu fiquei chateado, mas procurei dar o meu melhor no segundo. Aí, seis meses depois e com bastante esforço, superei centenas de candidatos e entrei pra galeria dos aprovados em Direito na UEM.



Ontem uma frase no twitter me fez refletir sobre a alta taxa de reprovação nos exames da OAB: o quesito "pressão" (@Abigobaldo)*. Pressão da faculdade, dos amigos, da família, e a do próprio candidato.



Incrível como a gente é 'coagido' a ser sempre o melhor né? Sabe, quanto àquele meu primeiro vestibular, em 2005, eu realmente achava que iria passar de primeira. Sem cursinho nem nada. E por quê? Porque algumas pessoas, e posso aqui citar especificamente minha querida professora "Dalua" (apelido dado por algumas pessoas de coração mau), diziam isso! Sim, desde a 7ª (SÉTIMA!) série já me falavam isso!



Entre os amigos, vizinhos e família eu sempre ouvi coisas semelhantes: "nossa, você é CDF", "CRÂNIO", "vai se dar bem na vida", "é a nossa esperança", "é o nosso exemplo", "tenho plena confiança em você"...



Como uma criança reage a isso??? Hã? Sem nenhuma maturidade emocional e já obrigada a conviver com responsabilidades que escolheram pra ela!



Isso é algo a ser pensado. É uma questão de revermos a maneira como criamos nossos filhos ou educamos nossos alunos. A droga da COMPARAÇÃO existe, e deve ser combatida.



Prova disso? Impossível não me comparar com meus amigos de faculdade que passaram e vão passar nesse Exame da OAB. Eles vão, eu vou ficar....



Até onde essa comparação é saudável? Até onde essa pressão, mesmo que interna, pode ir??



Não é tão simples assim. Não é matemático (no caso, 2 + 2 não são 4). Pessoas são seres complexos, dotadas de carga cultura e cognitiva individual. Não dá pra generalizar. Cada um reage de uma forma, cada uma pensa uma coisa. Cada ser tem princípios e valores próprios.


Aprendi que não devemos nos comparar aos outros, mas com o melhor que podemos ser. (autor desconhecido)


Olhe pra sua família. Você e seus irmãos são iguais? Pensam igual? Seus pais e seus tios, como são? Foram ou não criados juntos?



Generalizar pessoas (a 'coisa' mais sui generis que existe) é o nosso erro. Eu tenho uma formação específica, valores específicos, um pensamento específico. Uma maneira específica de aprender e lidar com as informações. Isso é fato.



Além do mais, existem dias e dias. Cada dia nosso estado de espírito está de uma forma: mais relaxado, mais apreensivo, mais confiante... As circunstâncias, e o funcionamento do nosso organismo, influem em nossa disposição!

Outra coisa que ouvi muito antes dessa prova foi "Nossa, pra fazer essa prova de R$ 200,00 tem que estar preparado, né"...

Aí eu te pergunto: O que é estar preparado? Hã? Ter estudado muito, decorado os 18.000 artigos? Só isso? Apenas isso conta? Como já disse, cada dia é um dia... Nosso emocional é fator decisivo na hora decisiva. E olha que pode ser o cara mais Nerd do mundo...


Quando a gente dá a cara a tapa, tem que se preparar, pois os tapas podem vir.


Errando é que se aprende. Não sei se esse bordão é totalmente correto, mas pra muitas coisas, ele se encaixa perfeitamente. Uma carreira pessoal e profissional de sucesso não surge de uma hora pra outra. Somos fruto de nossas experiências, de nossos acertos, e também das quedas. E isso, querendo ou não, acaba se aplicando a quase todas as áreas de nossas vidas.

[...]

Bom, o próximo exame deve ser em novembro ou dezembro. Não sei se vou fazer; e se fizer, não sei se vou passar. Não sei. Deus queira que sim.


Não quero agredir ninguém com isso. Quero apenas desabafar, me livrar do peso que não me pertence. Não quero viver assim. Não quero ser obrigado a ser uma estatística! Tenho valores próprios, experiências próprias, TENHO UMA VIDA PRÓPRIA, E NINGUÉM VIVE ELA POR MIM, SOMENTE EU MESMO!



Renunciar à carga. Renunciar ao fardo... CHEGA DE CULPA! Somos diferentes!



Não sou o melhor. E não é porque não passei de primeira nesse exame, como muitos (inclusive eu mesmo) queriam, que vou me tornar o pior. Entendam, perfeição não existe. To saindo expressamente dessa...



Espero ter ajudado alguem com isso. Mas se eu mesmo já tiver aprendido alguma coisa, já terá valido a pena...



"Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou." (Ec 3.1,2)


*Acrescentei algumas horas depois de publicar.

14 de jul. de 2011

Papagaios



Já não é tarde, ainda não é noite
mas isso pouco importa...
O tempo continua claro, e eles continuam lá,
reinando acima de nós, acima de todo o pó sedimentado sobre os telhados,
acima de nossas aspirações e ilusões astutas.



O céu outrora azul brilhante já não é tão brilhante,
o astro rei se foi e a rainha surge no horizonte oposto,
em forma de um grande queijo albino,
destoando da beleza do dia que se vai,
semeando graça genuína na noite que vem...
E eles continuam lá, reinando, sem pressa de parar...



Reinando na imensidão desse azul envelhecido,
dessas novens cor-de-rosa, iluminadas pela luz tangente do astro rei,
essas nuvens como que artesanalmente pulverizadas,
a fim de compor um cenário divino.
Que maravilha!



Papagaios reinando: demontrando a alegria da infância,
o desapego que reina no ser humano, enquanto ainda é ser humano,
enquanto ainda se emociona com o fato de poder voar...
Que ousadia! Dança, vai e vem, é livre!!



Papagaios reinando... um, dois, tres... são mais de dez!
Reinando, livres a dançar na imensidão dessa abóbada tão terrestre.
Livres a ziguezaguear, no intuito de transmitir o desejo daqueles que os governam:
o anseio por liberdade, a vontade de voar e ser livre.

7 de out. de 2010

A B O R T O


Uma mulher chega apavorada  no consultório de seu ginecologista e diz:

- Doutor, o senhor terá  que me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não  completou um ano e já estou grávida novamente. Não quero filhos em  tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro...


O médico então perguntou: - Muito bem.. O que a senhora quer que eu  faça?
A mulher respondeu: - Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.

O médico  então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para  a mulher: - Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

A mulher sorriu, acreditando que o  médico aceitaria seu pedido.

Ele então completou: - Veja bem minha  senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão  curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período  de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença  entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos  braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco...

A  mulher apavorou-se e disse: Não doutor! Que horror! Matar um criança  é um crime.

- Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida  disso, que por um momento pensei em ajudá-la.


O médico  sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição  surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre  matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva  no seio materno.


Esse é um relato prático da ação de um ginecologista consciente. A questão do aborto tem estado em pauta na nossa sociedade, onde um grupo pleiteia a sua descriminalização.

Enquanto cristão, como pensar?

A Bíblia nos diz que o próprio Deus nos formou antes mesmo de estarmos prontos, fisiologicamente. E mais, Ele se relaciona com pessoas ainda não nascidas.  Ele se utiliza desse termo para se referir ao cuidado pessoal de Deus por ele mesmo durante a primeira parte de seu estado embrionário (desde a nidação até as primeiras semanas de vida), o estado antes do feto estar fisicamente "formado" numa miniatura de ser humano. Sabemos hoje que o embrião é "informe" durante apenas quatro ou cinco semanas. Em outras palavras, mesmo na fase de gestação da "substância ainda informe" (0-4 semanas), Deus diz que Ele se importa com a criança e a está moldando:

 O Salmo 139.13-16 afirma: "Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste... Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe".

  Em Jó 10.8,11 lemos: "As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram... De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste".

ABORTO É ASSASSINATO. ABORTO É PECADO!

NÃO À INIQUIDADE SOBRE NOSSA NAÇÃO!

"Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga da sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta para as nações." Jr 1.5

9 de jun. de 2010

Meu quarto: Meu sonho

É com grande alegria que venho trazer essa notícia!


Depois de quase 22 anos em que tive que dividir quarto com outras pessoas (sim, minha vida toda!), finalmente agora eu tenho meu cantinho de privacidade.

Muitos podem pensar: "ah, que idiotice, é só um quarto". Inclusive uma amiga muito próxima uma vez me disse: "Ai, vc tem um negócio com quarto hein.."

Sim, e realmente eu sempre tive. Essa sempre foi uma necessidade minha: liberdade, privacidade. Mas do que isso, ter um quarto só pra mim sempre foi um SONHO, embora muitos não consigam entender isso.

Talvez porque eu sempre tenha sido um garoto meio fechado, por vezes introspectivo, alguém que por muitas vezes precisava de um lugar para ficar a sós, um refúgio ante os olhos de todos. E é assim até hoje.

Quem não gosta de se sentir livre, de se sentir em paz?


Ademais, sempre foi muito difícil inclusive pra eu estudar em casa, quizá para ter momentos a sós com Deus. É, depois desses argumentos sei que muitos vão me entender.


Mas o fato é que agora ele está pronto! Já faz três noites que estou dormindo lá, e até agora a ficha não caiu.

Vejam as fotos da construção.

13 de jan. de 2010

Ano novo nada novo

Cada vez parece que fica mais chato comemorar o ano novo. Daí eu estava pensando: por que será?

Por que será que era tão divertido quando eu era criança, e agora eu sempre sinto um vazio no peito, que não consigo explicar. E eu sei que esse sentimento não é exclusivamente meu.

Talvez seja pelo TEMPO. Sim, a cada ano estamos mais velhos, mais experientes quanto à vida. Sabemos que ela não é tão fácil assim, e devagar aprendemos que a luta é diária - Nem tudo são flores na vida!

Na verdade, o que gera mais frustração na virada do ano, creio eu, é saber que muita gente que voce gostaria que estivesse ali, não está. Sim, porque quando se é criança, vive-se em um mundo pequeno, onde a rede de contatos é muito diminuída: família, amigos-vizinhos, escola. E sempre estão lá: os mesmos.

Quando crescemos, e passamos a ter maior contato com o mundo, nossa área de atuação é muito ampliada: família, vizinhos, trabalho, faculdade, amigos de infância, amigos da Internet, pessoal da igreja, antigos amigos da escola.... é muita gente que passamos a conhecer! E não tem mais como juntar todo mundo, cada um tá num canto do país (quizá do mundo!). E eu sempre penso: queria que fulano estivesse aqui... visão puramente egoísta, pois todos têm família e amigos talvez mais próximos. Talvez esse egoísmo nosso é que faça o ano novo parecer cada vez mais chato, mais triste e inexpressivo.

É isso, só queria compartilhar esse sentimento.

23 de dez. de 2009

Rever conceitos...

Estou um pouco confuso...
precisando descobrir algumas coisas,
talvez quem realmente eu seja...

Às vezes tomamos algumas atitudes
das quais nos arrependemos depois
(como escrever isso aqui, por exemplo) ;
mas sabemos que se não tivéssemos feito aquilo,
ficaríamos para sempre com vontade de fazer.

19 de nov. de 2009

Tenha sucesso tendo um bom coração!


Muitas pessoas querem ter sucesso na vida, mas andam na contramão de direção. O sucesso não é apenas profissional e financeiro, mas em todos os campos que compõem a nossa vida.

Ter amigos, uma família, um ministério, um relacionamento com Deus, um bom trabalho, segurança e equilíbrio emocional não deve ser um privilégio.

Tiago, o escritor, registra uma lição importante: "O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos" (Tg 1.8).

A palavra é dura, mas é verdadeira. Como ter sucesso em todos os caminhos se não controlamos os nossos desejos? Se não temos firmeza em nossos objetivos?

Muitas pessoas querem ter tudo e, por isso, não têm nada. Há um ditado que diz: "é melhor ser feliz com o pouco que tenho, do que infeliz tentando alcançar o que não tenho.'

Uma pessoa dobre, ou seja, fingida, desleal, traiçoeira, enganosa, duas caras, fútil ou que vive em ilusões, não tem firmeza naquilo que faz. Logo, o resultado é o fracasso.

Controle seu coração, pois ele é enganoso e corrupto, mais que todas as coisas (Jr 17.9).

Que Deus ilumine os nossos corações para que tenhamos sucesso em todos os nossos caminhos!

Blog do Pastor Luciano

20 de jul. de 2009

Feliz Dia do Amigo!!!

A todos vocês, que tornam meus dias mais coloridos:
> pessoal da CEU
> pessoal da faculdade
> pessoal da IEQ
> pessoal do trabalho
> amigos da infância
> e todos os demais agregados!!!!!!!!!!!!

15 de jul. de 2009

Vestiba de Inverno e Eu: da complexidade das coisas


Não sei o que acontece comigo. Sou mesmo estranho.

Ontem acabou o vestibular da UEM. Fui fiscal de banheiro, lá no bloco C-23, onde estavam os candidatos do curso de Arquitetura. É a segunda vez que sou fiscal; da outra vez fui fiscal de sala. Mas nas duas vezes pude observar uma coisa: o quanto me apego fácil às pessoas. É incrível!!

Não sei bem como é isso. O Tijolo disse que é coisa de quem é muito sensível. Mas não posso evitar, é uma coisa que não controlo. Já sofri muito por pessoas que se distanciaram de mim; é como se ficasse uma lacuna, um buraco no peito.

Ontem senti isso mais uma vez. Foi muito triste quando vi todos aqueles vestibulandos indo embora, cada um para sua cidade. A UEM ficou tão deserta, tão triste; parecia que tudo era cinza e sem sentido. Em um momento, muita gente, barulho, muita vida e, depois, nada. Todos se vão. Cara, fiquei três dias "convivendo" com as mesmas pessoas: no caso, os meninos, já que eu era fiscal do banheiro masculino. Tenho uma certa veia de psicólogo: analisei o comportamneto de cada um: stress, nervosismo, olhares, se falavam ou não comigo. De certa forma, é como se eu fosse amigo de todos eles, apesar de nem ter conversado com todos. Só falei com alguns, aquela conversinha de "e ai, vai passar ou não?". Mas já é o suficiente. É quase que a mesma coisa de quando vc passa vários dias num acampamento, e depois volta pra casa e dá aquela saudade enorme de todas aquelas pessoas com as quais vc conviveu durante vários dias, e então dá vontade de abandonar sua vida e voltar correndo para lá. No final, fica aquela frustração. Senti uma imensa vontade de ser amigo deles, de voltar a ser vestibulando, de fazer vestibular. Acho que isso não é tão anormal assim, já q uma amiga me disse o mesmo.

Mas sei que a maioria daquelas pessoas nem se lembram mais de mim, acho que muitos nem notaram minha presença. Eu sou "federal": já procurei boa parte deles no orkut e no google, e pode ser que algum deles esteja lendo isso agora. Hehe. Descobri até que tem gente bem mais perto do que eu pensava, e tbm bem mais longe do queeu poderia imaginar. Muitos vão ver meu nome lá entre os visitantes do orkut e vão se perguntar "quem é esse cara?".

É assim mesmo. Acho que uma de minhas maiores virtudes é dar valor àquilo que os outros não dão nenhum valor. Isso é ter sensibilidade, creio. Sei lá. Talvez alguém me mande um scrap dizendo "ei, eu lembro de vc", mas sinceramente não espero que isso ocorra.

Sou mesmo estranho, talvez um dia eu entenda. Até lá aguenta.

23 de jun. de 2009

Pecado

A cabeça gira com tantos pensamentos
Frases bem montadas,
que acusam, que gritam e esperneiam.
a minha bússula já não tem pra onde apontar
e o desespero seca minha boca, estremece meus membros
e me faz me sentir um ser inferior.

Dor, erro.
Solidão é tudo o que quero.
Eu não quero ver ninguém,
quero estar sozinho,
quero me esconder.
Já há horas em que me sinto um nada
é como se as pessoas falassem comigo e eu simplesmente não estivesse lá
como se eu fosse um casulo, sem vida por dentro
com movimentos mecânicos e fúteis.

Assim estou, há horas
Sentindo-me sozinho, longe
desamparado...
a multidão passa e eu sinto o cheiro da poeira que se levanta
como se nada mais fizesse sentido

Dor, erro.
Coisas que não entendo
Busco respostas mas não vejo explicação
Por que?
Busco satisfação, mas corro da satisfação...
e a satisfação que não encontro,
simplesmente me destrói.
Caí naquela velha rede.

Parei no tempo.
E me pergunto por que perco tanto tempo
por que inutilizo me tempo
Não posso controlar, realmente?
Sou assim tão fraco?

Olho para a minha equipe caminhado, e grito:
"Hei, me esperem!!"
Não! não me esperem, não sou digno!
Caí no caminho, e é sinal que não estou pronto
que tenho muito a aprender.

Os minutos vão, a solidão persiste,
e eu sei que ela vai ter que ir embora uma hora.
Não posso me acostumar com essa angústia,
não posso repousar mais uma vez sobre o vale de ossos secos
sobre o mar da solidão, do esquecimento.

Continuo sem entender, mas espero que um dia chegue ao desfecho
e finalmente entenda o motivo, a razão.

Maldito o homem que confia no homem.
Sou homem,
logo não confiarei nem em mim mesmo.

18 de jun. de 2009

A razão...

Estou de volta. Não, eu não estava em período de provas, acontece que o tempo é pouco... a falar em provas, logo elas começam de novo. Isso não vem ao caso.

Hoje aconteceu algo diferente no Mudi. Problemas. É que o conceito de educação de pessoa pra pessoa pode variar, apesar de ele ser um só. Eu nunca vou entender os homens. Há uns dias atrás, perguntei ao Gilberto se ele acreditava que um garoto havia mijado dentro do cestinho de lixo. Ele disse que acreditava. Claro que não foi nenhuma criancinha, foi um marmanjão, já na adolescência (aliás, esses são os piores). Parece que querem mostrar sua soberania, sua independência, seu ego. O Gilberto me respondeu algo que me deixou pensativo: "A partir de agora vai ser assim, esse é o mundo que nos aguarda. Essa é a nossa juventude."

Frustração. Na mesma semana, estava conversando com uma das monitoras, amiga minha. Falávamos sobre a sala de paleontologia, e de como falar sobre ela aos visitantes. Como abordar o tema da evolução? Tem um quadro enorme na parede que mostra como o macaco mais primitivo teria evoluido até chegar ao homem. O problema é que todos estão orientados a falar o contrário: não, o homem não vem do macaco, se assim fosse todos os macacos teriam evoluidos e virado homens. Não existiriam mais macacos, e somente o homem. Afinal, nós não vemos mais nenhum mamute nem no mais "biologicamente correto" zoológico, tampouco vemos preguiças-gigantes por aí. Frustração: "Tá vendo, por isso que eu não gosto de estudar. Por mim passava o dia inteiro ouvindo música." Os homens buscam tantas explicações, sem nada encontrar. Apenas se frustram, como se estivessem sempre correndo atrás do vento, sempre se contradizendo.

Acreditar apenas no natural sempre nos frustra. Hoje algo me deixou ESTUPEFATO. Sempre confiante e tentando sorrir para a vida, levando tudo numa boa, lá vou eu... Fui ajudar aquela minha amiga lá na sala de anatomia, pois ela estava sozinha, e tinha q ter alguém para pelo menos ajudá-la a abrir a caixa do cadáver. Havia muito tempo que não me estressava desse jeito: os alunos, adolescentes, simplesmente se comportavam de maneira inadequada: conversavam, andavam e até tentaram tirar fotografia, num ambiente proibido. Ora, tudo isso foi falado antes, mas a falta de respeito foi imensa. Eu me senti desrespeitado, por estar ali ajudando a minha amiga, como aliás muitas vezes tenho feito. Para ser breve, aconteceu que ela teve que chamar a atenção deles mais de uma vez, e no final a professora veio ter conosco, pedindo que ela fosse lá embaixo se desculpar com a turma, por haver sido grossa com eles. Ora, grossa? Tudo bem, essa minha miga tem um jeitinho todo particular de ser, mas isso não legitima a professora a alegar que ela tenha sido mal-educada. Ora, ela tinha plena liberdade para parar a explicação e terminar a visita deles, pois eles não estavam se comportando nos conformes. Eu até pensei nisso, pois eles estavam muito agitados. O fato é que acabamos discutindo: eu, minha amiga e a professora.

Ora, eu pensei que ela estava se dirigindo até nós para se desculpar, e não para exigir desculpas. E a autoridade da monitora? Onde fica? Se não houver ordem, viveremos em barbárie. Não podemos deixar o pessoal fazer tudo o que eles querem; as regras existem para serem cumpridas. A alegação dela é que a minha amiga havia sido grossa, mal-educada e ainda havia deixado a desejar na apresentação. Acho que o conceito de educação dessa professora precisa ser revisto, pois não podemos estar em um lugar sem que tenhamos que nos submeter disciplina e ao controle vigente ali. Quem realmente foi mal-educado?

Isso tudo nos deixou num estado de raiva muito grande. Eu me segurei para não demonstrar a ira, a minha amiga também. Mas no final, por frágil, ela acabou externando tudo... com palavras, lágrimas e tudo mais... ela nem percebeu o quanto nervoso eu fiquei, por achar aquilo tudo tão injusto, tão bizarro.

Essas coisas acontecem, e elas servem para nos fazer crescer. A minha real vontade era de fazer uma besteira (e a da minha colega de fazer algo pior, talvez...). Mas parei para pensar no meu caráter, no meu comportamento (ninguém percebeu a real magnitude, mas por dentro eu estava explodindo).

Conclusão: não é fácil. Não é fácil conviver em sociedade. Não é fácil guardar a mansidão em situações tão adversas. Poxa, sempre busquei ser o mais calmo possível. Mas sempre tem uma hora em que a gente explode.

Essas situações nos ensinam muitas coisas: que nem sempre vamos ganhar, nem sempre vão reconhecer em nós a justiça e a verdade, e que às vezes pode tudo ser muito difícil. Preciso aprender mais sobre tudo. Tudo é muito confuso, e leva-se tempo para aprendermos a lidar com nossos sentimentos, com nossas vontades.

"Bem-aventurados os mansos, pois eles herdarão a terra", acho que esse é o versículo. O ser humano é tão incompreensível. Mesmo fazendo uma grande salada de fatos e sentimentos aqui, já me sinto melhor.

As vezes é difícil nadar contra a correnteza, é difícil ser diferente, mas esse é o preço que temos que pagar se quisermos almejar algo melhor para nós mesmos. Agradeço a Deus por tudo que tenho aprendido, e pelas pessoas que estão ao meu redor.

Eu creio que ainda há salvação. Não é fácil, mas ninguém disse que seria fácil. O preço maior já foi pago, na cruz do Calvário, por Jesus Cristo. Eu creio. Eu ouso pensar diferente.


E ademais, eu nunca mais serei o mesmo.


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