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30 de mai. de 2016

Cada momento é único


Cada momento é único.

Longe de mim querer parecer retórico demais. Mas é.

Longe de mim querer parecer lugar-comum, mas sim.

A vida passa rápido e quando percebemos, já é junho. Quando nos damos conta, mais um aniversário. Ao nos atentarmos, já passamos por diversos sonhados momentos pelos quais esperamos por muito tempo, e constatamos que: não os gozamos satisfatoriamente.

Este ano, pela primeira vez na vida, estive em uma roda gigante. Com uma amiga de longa data. Bom, não era um momento tão esperado. Nunca idealizei nem planejei isso. Mas aconteceu. E querendo ou não, era um momento único. E assim que eu desci do brinquedo, lá no meu íntimo o meu subconsciente (ou minha própria consciência, eu sei lá) já me acusou: 'você nem aproveitou, nem viu o que aconteceu'. Envergonhado de mim mesmo, constrangido de maneira curiosa, eu poderia me defender dizendo ser culpa do Snapchat, e de todos os vídeos e fotos maneiras que fiz (afinal eu fiz!). Mas não ousei ser tão descarado. Eu sabia: eu vivi mas não senti.  Logo, nem sei se vivi. A culpa foi minha.  A culpa por não curtir o momento, por não o espremer ao máximo até tirar todo o caldo de satisfação e proveito era unicamente minha.

Cada momento é único.

A roda gigante é um fato simbólico. Retrata bem a situação, mas nem estou me importando tanto assim com isso. Eu me importo, sim, com dezenas de outras situações, de vivências diárias, de experiências singulares às quais me submeto cotidianamente, porém que passam desapercebidas ante minha sensibilidade. Eu me preocupo sim, e sofro inclusive, ao perceber que poderia ter feito mais. Ter sentido mais. Tocado mais. Ficado um pouco mais. Vivido mais intensamente cada segundo daquela proposta que me fizera o dia. Ter contemplado os detalhes e explorado as minúcias até a exaustão. Ter me soltado mais. Ter usufruído aquela companhia, aceitado aquele encantador e irreverente convite sem me preocupar demais com o depois. Ter sido tudo o que eu poderia realmente ter sido.

Porque o tempo não volta. Aquela oportunidade, certamente, também não. E o remorso ou a culpa é o novo ente de estimação que agora você, é muito provável, terá que aprender a lidar.

Ouvi uma vez que a vida não vem com manual de instruções, e que os erros são parte inseparáveis deste grande aprendizado. Eu concordo. Discordo, porém, de qualquer discurso que atribua unicamente às circunstâncias a culpa por nossos equívocos e tropeços. Cabe a nós lutar pela construção e manutenção daquilo que precisamos e almejamos. Inclusive seus detalhes, sua intensidade.

Que a cada nova situação, cada novo dia, eu possa me entregar mais, sentir e degustar de maneira nova e duradoura tudo o que a vida tem a oferecer. Absorvendo aquilo que de melhor há para ser absorvido, e renegando as impurezas e radicais livres que não necessitam ficar. Certamente as oportunidades do passado não voltarão a se apresentar no futuro, da mesma maneira que um dia se apresentaram. E nem eu serei mais o mesmo. É a lei do tempo, das cicatrizes. Como já disse Heráclito de Éfeso, "o homem que volta ao mesmo rio, nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem". Entretanto, a vida continua, o tempo não para, e cada nova hora é um nova oportunidade de fazer tudo valer a pena. De novo e de novo. Com mais sabor. Com mais prazer. E cada momento será sempre único.

7 de dez. de 2013

Por que ciclovias?



Deixa pra lá, nem é importante. Tlvz os próximos governantes vejam. Ou não. Mas quem se importa?


Não consigo entender a congruência de um governo que prega desenvolvimento sustentável e mobilidade urbana mas continua ignorando ciclovias e incentivando o comércio e uso incontrolável de automóveis.


Não dá pra compreender um país com tamanha extensão territorial que deixa de investir em ferrovias e transporte ferroviário e continua fomentado o transporte rodoviário, que segue matando como nunca, poluindo, retardando o desenvolvimento e gerando cada vez mais ônus à própria sociedade.


Subdesenvolvimento e mediocridade, é o que temos pra hoje. Pro ano, pra década.

16 de fev. de 2012

O VAZIO nosso de cada dia.

Às vezes vejo umas coisas e fico me perguntando: putz, o que a maioria de nós tem na cabeça??

Há um tempo atrás reclamei com uma pessoa: a maioria dos homens só conversam sobre mulheres ou sobre futebol. Não obstante, olhando pras redes sociais de hoje dá pra perceber o quanto as pessoas enchem suas vidas com a paixão pelo futebol, havendo sempre a ardente necessidade de escrachar o time adversário. OK OK, TODOS SABEMOS QUE O CORINTHIANS NUNCA GANHOU LIBERTADORES! Já sabemos, ok? [...]

Fico admirado com a quantidade de fãs clubes que surgem a cada dia, os quais criam verdadeiros cultos irracionais para seus ídolos fajutos, que nem sabem que eles existem. Basta ir ao twitter e procurar por #AmamosLuanSantana, #LSEterno, #Beliebers (Believe + Bieber), Família Restart, Little Monsters (Gaga), RBD e RBR (e suas 1500 variações, quer dizer, 1500 pra cada um dos personagens teens), Neymar Oficial, etc.


Uma certa época, eu ouvia muito Avril Lavigne... até que um dia parei, graças a Deus. Anos depois descobri que existia até uma revista com o nome dela, e que os fãs piravam muito o cabeção com tudo aquilo. Cito a Avril mas isso se estende aos demais ídolos de rock, pop e demais.

Esses dias perguntei pra um amigo o porquê de tantas pessoas venerarem até hoje o Kurt Cobain, um cara que se suicidou aos 27 anos, por não conseguir lidar com seus problemas físicos e emocionais, ou sei lá o porquê. Ele me disse: "Cara, mentes insanas procuram por outras mentes insanas". [=O]

Cara, que loucura! Que INSANIDADE é essa?? Que CRISE DE IDENTIDADE!

As pessoas não sabem mais quem são,  não se valorizam. Não! Elas se anulam, se anulam em prol de qualquer coisa (sim, considero time de futebol e Rebelde como qualquer coisa).

Que falta de amor próprio, falta de perspectiva e de noção de si mesmo!! 

Vejo um grande vazio nas pessoas. Isso que vejo. Não sou nenhum vidente, sou simplesmente uma pessoa que observa e questiona. 

Pra comprovar isso, posto a frase de um dos integrantes do Rebelde BR: 
"@bernardofalcone: É lindo o amor que vocês sentem por mim e pelos meus amigos da novela, mas nunca esqueçam de celebrarem suas próprias vidas!

VOCÊ EXISTE!

Vou dizer mais o que??? Me lembro de uma frase que me marcou muito de um amigo, háum tempo atrás no facebook:  

"As pessoas são tão carentes e vazias de amor que dizem até que amam um time de futebol."

LOUCURA. Onde amos parar? Quais são, quais serão nossas referências??

Revejam. O que está realmente faltando em nós?


6 de fev. de 2012

FACEBOOKISTÃO, UM LUGAR PARA CURTIR, por "Marco Polo"




Visitei terras e culturas diferentes. Percorri boa parte do Oriente Médio e da Ásia. Travei contato com diversos povos. Fui um dos primeiros ocidentais a percorrer a Rota da Seda, em busca de um tecido que, ao ser rasgado, se transformasse em elogio. Sou cartão platinum em quase todas as companhias. Por isso, posso dizer de cadeira: não há lugar no mundo como o Facebookistão.


Esse país, de paisagem branca e azul, congrega mais de 800 milhões de pessoas. Um em cada 13 habitantes do planeta vive lá. Dentro de suas fronteiras falam-se algo em torno de 70 idiomas. Não incluindo aí o novo léxico pictórico, tipo \o/ , :) , :( etc.


A população é essencialmente linda, bem-sucedida, de gosto refinado, preocupada com a justiça social, o meio ambiente e os animais. É um povo muito receptivo. Cada pessoa tem por volta de 130 amigos. A maioria só convive mesmo com uns 4 desses 130. Mesmo assim estão sempre abertos a novas solicitações, não sem antes olhar o álbum de fotos do pretendente, é claro.


O ambiente é democrático, apesar de ser uma monarquia absoluta. O monarca, de apenas 28 anos, pode não só fazer as leis, como também excluir qualquer pessoa que estiver, inclusive, andando na linha. Em breve, o rei, como muitos outros governantes, venderá a nação para o mercado financeiro através de um IPO.


Nesse estranho país, protesta-se contra reacionários, insensíveis, fofoqueiros, sertanejos, funkeiros, homofóbicos, racistas, corruptos, fúteis, ditadores, mal-educados. O efeito dessas vozes dentro do território é inócuo, uma vez que ninguém lá possui tais defeitos. É muito comum no Facebookistão as pessoas protestarem também contra a falta de privacidade de seus dados. Poucos têm paciência de ler atentamente as cláusulas que regem o uso das informações fornecidas. Estes preferem usar o tempo para relatar publicamente como anda sua digestão ou expor as fotos da operação de fimose.

A principal atividade é a postagem. Todo dia, a população publica mais de 250 milhões de fotos. A cada 20 minutos, 10 milhões de comentários são escritos, 2 milhões de perfis são atualizados e 1 milhão de links são compartilhados. Que trabalho terão os cientistas sociais do futuro.


A moeda de troca é o like. Trocam-se likes por mais likes. O que no fim das contas não faz a economia produzir valor. A não ser para o monarca, que, com esse intenso tráfego de gentilezas, vende com mais facilidade os espaços publicitários aos anunciantes.


Quando conto essas coisas, as pessoas pensam que estou inventando ou que fiquei louco, acham que é mais uma viagem de Marco Polo.


Enfim, se você se interessou em visitar, saiba que, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, entrar para essa comunidade especial é simples. Basta apresentar seu nome, um e-mail e a data de nascimento. Esses dados nem precisam ser verdadeiros. Entrar é facílimo, difícil mesmo é sair.

Enviado via e-mail por Carol Saes 

15 de dez. de 2011

'Chique é crer em Deus', por Glória Kallil

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje.

A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda.
Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano.

O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é ser discreto. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio.

Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuaçõe inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador.
É lembrar-se do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor.

É "desligar o radar", "o telefone", quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar verdadeira atenção a sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Chique do chique é não se iludir com "trocentas" plásticas do físico... quando se pretende corrigir o caráter: não há plástica que salve grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerância, ateísmo... falsidade.

Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo.

Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!

Porque, no final das contas, chique mesmo é Crer em Deus!

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios... mas, Amor e Fé nos tornam humanos!

GLÓRIA KALLIL

18 de jul. de 2011

Não deu... e agora?

Não saiu ainda o resultado da primeira fase do exame da Ordem, mas estou sem grandes expectativas. Sendo realista, não tenho muitas* chances.

E agora? O que fazer?



Simples: nada. Há o que fazer? Não... Ah sim, estudar e me preparar para o próximo, que tudo indica ser no final deste ano.



Nesta hora o sentimento de frustração vem. É inevitável. Aquele sentimento sombrio de que "não fui capaz"...

[...]

Me lembro perfeitamente do meu primeiro do vestibular, aos 17 anos, no final do terceirão. Minha pontuação ficou abaixo da média. Eu fiquei chateado, mas procurei dar o meu melhor no segundo. Aí, seis meses depois e com bastante esforço, superei centenas de candidatos e entrei pra galeria dos aprovados em Direito na UEM.



Ontem uma frase no twitter me fez refletir sobre a alta taxa de reprovação nos exames da OAB: o quesito "pressão" (@Abigobaldo)*. Pressão da faculdade, dos amigos, da família, e a do próprio candidato.



Incrível como a gente é 'coagido' a ser sempre o melhor né? Sabe, quanto àquele meu primeiro vestibular, em 2005, eu realmente achava que iria passar de primeira. Sem cursinho nem nada. E por quê? Porque algumas pessoas, e posso aqui citar especificamente minha querida professora "Dalua" (apelido dado por algumas pessoas de coração mau), diziam isso! Sim, desde a 7ª (SÉTIMA!) série já me falavam isso!



Entre os amigos, vizinhos e família eu sempre ouvi coisas semelhantes: "nossa, você é CDF", "CRÂNIO", "vai se dar bem na vida", "é a nossa esperança", "é o nosso exemplo", "tenho plena confiança em você"...



Como uma criança reage a isso??? Hã? Sem nenhuma maturidade emocional e já obrigada a conviver com responsabilidades que escolheram pra ela!



Isso é algo a ser pensado. É uma questão de revermos a maneira como criamos nossos filhos ou educamos nossos alunos. A droga da COMPARAÇÃO existe, e deve ser combatida.



Prova disso? Impossível não me comparar com meus amigos de faculdade que passaram e vão passar nesse Exame da OAB. Eles vão, eu vou ficar....



Até onde essa comparação é saudável? Até onde essa pressão, mesmo que interna, pode ir??



Não é tão simples assim. Não é matemático (no caso, 2 + 2 não são 4). Pessoas são seres complexos, dotadas de carga cultura e cognitiva individual. Não dá pra generalizar. Cada um reage de uma forma, cada uma pensa uma coisa. Cada ser tem princípios e valores próprios.


Aprendi que não devemos nos comparar aos outros, mas com o melhor que podemos ser. (autor desconhecido)


Olhe pra sua família. Você e seus irmãos são iguais? Pensam igual? Seus pais e seus tios, como são? Foram ou não criados juntos?



Generalizar pessoas (a 'coisa' mais sui generis que existe) é o nosso erro. Eu tenho uma formação específica, valores específicos, um pensamento específico. Uma maneira específica de aprender e lidar com as informações. Isso é fato.



Além do mais, existem dias e dias. Cada dia nosso estado de espírito está de uma forma: mais relaxado, mais apreensivo, mais confiante... As circunstâncias, e o funcionamento do nosso organismo, influem em nossa disposição!

Outra coisa que ouvi muito antes dessa prova foi "Nossa, pra fazer essa prova de R$ 200,00 tem que estar preparado, né"...

Aí eu te pergunto: O que é estar preparado? Hã? Ter estudado muito, decorado os 18.000 artigos? Só isso? Apenas isso conta? Como já disse, cada dia é um dia... Nosso emocional é fator decisivo na hora decisiva. E olha que pode ser o cara mais Nerd do mundo...


Quando a gente dá a cara a tapa, tem que se preparar, pois os tapas podem vir.


Errando é que se aprende. Não sei se esse bordão é totalmente correto, mas pra muitas coisas, ele se encaixa perfeitamente. Uma carreira pessoal e profissional de sucesso não surge de uma hora pra outra. Somos fruto de nossas experiências, de nossos acertos, e também das quedas. E isso, querendo ou não, acaba se aplicando a quase todas as áreas de nossas vidas.

[...]

Bom, o próximo exame deve ser em novembro ou dezembro. Não sei se vou fazer; e se fizer, não sei se vou passar. Não sei. Deus queira que sim.


Não quero agredir ninguém com isso. Quero apenas desabafar, me livrar do peso que não me pertence. Não quero viver assim. Não quero ser obrigado a ser uma estatística! Tenho valores próprios, experiências próprias, TENHO UMA VIDA PRÓPRIA, E NINGUÉM VIVE ELA POR MIM, SOMENTE EU MESMO!



Renunciar à carga. Renunciar ao fardo... CHEGA DE CULPA! Somos diferentes!



Não sou o melhor. E não é porque não passei de primeira nesse exame, como muitos (inclusive eu mesmo) queriam, que vou me tornar o pior. Entendam, perfeição não existe. To saindo expressamente dessa...



Espero ter ajudado alguem com isso. Mas se eu mesmo já tiver aprendido alguma coisa, já terá valido a pena...



"Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou." (Ec 3.1,2)


*Acrescentei algumas horas depois de publicar.

18 de mai. de 2011

Maringá é uma moça bonita que passa

Alguns raios vazam em meio a uma espécie de rede protetora verde. Ali perto, o sujeito dispara mensagens para uma rede social da internet através de seu Iphone. Moderno, não? Com isso, porém, não consegue perceber que os fechos de luz vazados daquela imensa rede verde formada pela unção de galhos e folhas de duas árvores evocam uma imagem quase que divina tamanha sua beleza. O distraído perante as manifestações mais belas da natureza é maringaense. Ele prefere o twitter aos presentes que Maringá tenta dar para ele naquele momento.

Ele nem vê a criança se melecando toda de sorvete ao deixar escorregar a casquinha em sua blusa de moletom. Não percebe o carinho que um senhor, casado há mais de trinta anos com a mesma pessoa, faz nas costas da sua mulher, toda contente, cercada por sacolas de coisas compradas. Deixa até mesmo de perceber os beijos ávidos de um casal adolescente que nem bem curaram suas espinhas e já estão ali, mostrando para o mundo, que a paixão requer pressa e arde. Osama Bin Laden, se vivo fosse, poderia estar passando por ali que o maringaense desdenharia da sua ilustre e perigosa presença.

Ele também não consegue perceber que o sorriso daquela moça bonita que passa na calçada traduz um sentimento em comum para várias pessoas que aqui moram: a felicidade em Maringá é mais bonita do quem em outros lugares. A discussão para decidir o cognome de Maringá fica rasa quando olhamos para o sorriso, os olhos e a pele daquela mulher que passa pela avenida. “Olha que coisa mais linda mais cheia de graça, é ela menina que vem e que passa”. Lembro de uma canção, que, aliás, não foi composta na “Cidade Canção”.

A menina passando, fazendo os mais safados assobiar, os mais recatados se enrubescerem e as namoradas dos outros se amargarem consegue, veja só, até mesmo deixar a mãe natureza em segundo plano. Os fechos de luz vazados por entre árvores resolvem ter vida própria, desobedecem as ordens superiores naturais, e, solidários com a beleza da vida, brilham mais fortes e miram na direção da moça bonita que passa. Maringá é isso. É uma moça bonita passando pela calçada e deixando a multidão boquiaberta. Bonita, jovem, saudável, disposta para o amor e para a alegria. A felicidade, ainda que totalmente sem explicação, não deixa aquela menina ficar feia. Ela não vai se importar se Maringá for a Cidade Canção ou a Cidade Verde. Ela só quer caminhar, seguir em frente e sentir o perfume da juventude exalando pelos seus poros. Aquela moça deveria se chamar Maringá.

E maior surpresa não há, o mundo é mesmo perfeito, penso eu, quando vejo que a bela moça percebe a invasão dos fechos de luz, olha para o lençol verde da natureza e fica maravilhada com o espetáculo que Maringá lhe preparou. A natureza assistida e respeitada pela menina mais linda da cidade é exemplo de uma vida que se completa com o meio. E ela não resiste, precisa mostrar ao mundo o quanto ama aquele lugar. 

Dispara fotos do seu celular e eterniza o lençol verde furado de luz. Seguidores olham rapidamente aquela imagem disponibilizada em um link no twitter. O maringaense que mexia no seu Iphone, um dos 1.353 seguidores da moça, vê a foto, emociona-se e também se sente um sujeito feliz por morar em Maringá.

*Crônica publicada dia 17 de maio de 2011 na coluna Crônico, do jornal O Diário do Norte do Paraná.

23 de dez. de 2010

Petição Pública: contra o aumento de salário dos políticos

Ajudem a impedir a arbitrariedade dos nossos exímios legisladores: contribua no Petições Públicas, assinando digitalmente o abaixo-assinado!



http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2010N4596





Veja também: Deputados paranaenses que votaram pelo aumento

#aumentoNÃO

Deputados federais paranaenses que votaram para o aumento salarial dos políticos, de forma a igualar ao teto salarial nacional do serviço público (salário dos Ministros do STF):

1) Os que têm grande influencia na região:

É, Sr. Balbinoti!

Ah, Ricardo Barros!

 Ratinho Júnior!


2) LISTA COMPLETA

Voto "Sim" significa que o Deputado é a favor do aumento e "Não" significa que ele é contra.

DEM
Alceni Guerra - Sim
Cassio Taniguchi - Sim
Luiz Carlos Setim - Sim

PDT
Wilson Picler - Sim

PMDB
Marcelo Almeida - Não
Moacir Micheletto - Sim
Odílio Balbinotti - Sim
Osmar Serraglio - Sim
Reinhold Stephanes - Não
Rodrigo Rocha Loures - Sim

PP
Dilceu Sperafico - Sim
Nelson Meurer - Sim
Ricardo Barros - Sim

PPS
Cezar Silvestri - Sim

PSC
Ratinho Junior - Sim
Takayama - Não

PSDB
Alfredo Kaefer - Não
Gustavo Fruet - Não
Luiz Carlos Hauly - Sim

PT
Andre Vargas - Sim
Angelo Vanhoni - Sim
Assis do Couto - Não

PTB
Alex Canziani - Sim
Com informações da Câmara dos Deputados

7 de out. de 2010

A B O R T O


Uma mulher chega apavorada  no consultório de seu ginecologista e diz:

- Doutor, o senhor terá  que me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não  completou um ano e já estou grávida novamente. Não quero filhos em  tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro...


O médico então perguntou: - Muito bem.. O que a senhora quer que eu  faça?
A mulher respondeu: - Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.

O médico  então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para  a mulher: - Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

A mulher sorriu, acreditando que o  médico aceitaria seu pedido.

Ele então completou: - Veja bem minha  senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão  curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período  de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença  entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos  braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco...

A  mulher apavorou-se e disse: Não doutor! Que horror! Matar um criança  é um crime.

- Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida  disso, que por um momento pensei em ajudá-la.


O médico  sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição  surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre  matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva  no seio materno.


Esse é um relato prático da ação de um ginecologista consciente. A questão do aborto tem estado em pauta na nossa sociedade, onde um grupo pleiteia a sua descriminalização.

Enquanto cristão, como pensar?

A Bíblia nos diz que o próprio Deus nos formou antes mesmo de estarmos prontos, fisiologicamente. E mais, Ele se relaciona com pessoas ainda não nascidas.  Ele se utiliza desse termo para se referir ao cuidado pessoal de Deus por ele mesmo durante a primeira parte de seu estado embrionário (desde a nidação até as primeiras semanas de vida), o estado antes do feto estar fisicamente "formado" numa miniatura de ser humano. Sabemos hoje que o embrião é "informe" durante apenas quatro ou cinco semanas. Em outras palavras, mesmo na fase de gestação da "substância ainda informe" (0-4 semanas), Deus diz que Ele se importa com a criança e a está moldando:

 O Salmo 139.13-16 afirma: "Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste... Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e entretecido como nas profundezas da terra. Os teus olhos me viram a substância ainda informe".

  Em Jó 10.8,11 lemos: "As tuas mãos me plasmaram e me aperfeiçoaram... De pele e carne me vestiste e de ossos e tendões me entreteceste".

ABORTO É ASSASSINATO. ABORTO É PECADO!

NÃO À INIQUIDADE SOBRE NOSSA NAÇÃO!

"Antes do seu nascimento, quando você ainda estava na barriga da sua mãe, eu o escolhi e separei para que você fosse um profeta para as nações." Jr 1.5

1 de out. de 2010

A Marina do Dedo Verde

Quando ela fala, veias caudalosas se projetam no pescoço. Marina Silva tem uma voz arranhada, que parece emergir com esforço de sua figura esguia. Com essa voz não treinada, que vem de dentro, Marina foi a candidata, nesta campanha de cartas marcadas, que soube projetar melhor, com inteligência e ironia fina, suas palavras. Talvez porque fossem palavras dela e de mais ninguém. Não mais do mesmo, não o vale-tudo de quem dá mais salário mínimo, 13o de Bolsa Família, ou empregos para a parentalha.

O título deste artigo é uma alusão a O menino do dedo verde, livro infantojuvenil escrito pelo francês Maurice Druon, em 1957, e adaptado para desenho animado. O protagonista, Tistou, tinha um dom: onde colocava o dedo, nasciam flores. O menino conhece a miséria, a prisão e os hospitais. Decide alegrar esses ambientes. E, ao colocar o dedo no presídio, nascem tantas flores que as portas da prisão não fecham mais. Mas os presos não fogem porque o mundo havia mudado para melhor.

Trata-se de uma fábula. Mas, como a realidade desta campanha eleitoral anda difícil de engolir, fantasias são bem-vindas. Na reta final, uma marola verde se torna onda e atrai desiludidos. Marina, que já se apresentou como a “outra Silva” e a “primeira candidata negra à Presidência”, abandonou os slogans que empobreciam seu discurso para colocar o dedo verde nas feridas do país.


Não por acaso a candidata do PV foi quem mais se beneficiou dessa língua malcheirosa que escorre da Casa Civil de Lula. Após as denúncias de corrupção e tráfico de influência do braço direito de Dilma Rousseff, as pesquisas mostram uns pontinhos a mais para Marina. Era previsto. Essa acriana evangélica, com quatro filhos e coque austero, é a única novidade. Suas reflexões sobre o Brasil e os adversários têm um carimbo de franqueza, sem arrogância. Concordando ou não com ela, somos compelidos a escutá-la.

Suas frases de muito efeito ecoaram em cabeças pensantes e na juventude. Seguem-se algumas delas: “Lula e Dilma infantilizam o eleitor brasileiro com essa história de pai e mãe”. “É possível perder ganhando e ganhar perdendo.” “Serra e Dilma são inteiramente parecidos porque defendem um modelo de desenvolvimento do século XX.” “O Brasil não precisa de um gerentão” (referindo-se a Dilma). “Meus adversários criam duas novelas: numa, o Brasil é todo azul, na outra é cor-de- rosa.” Marina se diz contra “o ‘promessômetro’ para ganhar simpatia”. Quer acabar com o “voto por gratidão” e criar o “voto cidadão”. Difícil, inviável, dirão, mas há um componente de sedução em sua fala.


Na semana passada, depois que Lula proclamou, em mais um comício – “Nós somos a opinião pública” –, a menina do dedo verde reagiu: “Eu acredito na liberdade de imprensa. Acho que o presidente fez uma crítica à imprensa que é contraditória com toda a sua trajetória dentro do PT”.

Dilma perdeu a fachada de paz e amor e reagiu com fúria às denúncias na imprensa. “Ela teve uma recaída. Parecia até ela mesma”, teria dito um aliado da petista, segundo a Folha de S.Paulo. A outra má impressão da semana foi a entrevista de José Serra ao Bom dia Brasil, na TV Globo. Não deixou que os jornalistas perguntassem quase nada. Impedia apartes, num tom professoral e prepotente que afasta até seus eleitores. A uma repórter do humorístico CQC, da Bandeirantes, Serra perguntou se ela tinha namorado. Não é a primeira vez que perde a noção.

Sem plásticas ou cabeleireiros, Marina cresceu de estatura ao longo da campanha. Seu discurso a princípio ambientalista ampliou-se e ganhou consistência no campo dos valores e da ética. Mesmo que a enorme maioria dos brasileiros não vote nela, sabe-se o que sua candidatura representa: uma terceira via, de olho no desenvolvimento sustentável do século XXI, que não comporta esmolas para uma massa tutelada e semianalfabeta. Quando deixou o governo Lula, após quedas de braço com Dilma, Marina afirmou: “Perco o pescoço, mas não perco o juízo”. E não perdeu mesmo.

Fonte: Revista Época

Datafolha: Marina já empata com Serra em quatro capitais e alcança Dilma no Distrito Federal


Marina Silva cresceu 5 pontos percentuais em Recife, em uma únca semana, e empatou tecnicamente com José Serra (PSDB), segundo pesquisa do Datafolha divulgada hoje. No embalo da onda verde que toma conta do país, a candidata do PV já empata com o tucano em quatro das sete capitais pesquisadas pelo instituto: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife.

A mesma pesquisa revela que Marina subiu três pontos no Distrito Federal, abriu seis em relação a Serra e empatou tecnicamente com Dilma (29% contra 32% da petista).

Levantamento feito pelo Ibope, divulgado ontem, afirma que a situação da presidenciável é ainda melhor em Belo Horizonte: abriu 13 pontos sobre o candidato tucano e empatou com Dilma Rousseff (PT), ambas com 32%.

O levantamento do Datafolha, realizado nos dias 28 e 29 de setembro, ouviu 13.195 eleitores em 480 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número 33119/2010.

16 de set. de 2010

Duas noites em Curitiba

Av. Sete de Setembro


 Curitiba é um lugar lindo. Ponto. Bom, pelo menos os lugares que conheci, são fascinantes.
A capital do estado esbanja beleza e atrativos que nos encantam e convidam a ficar. Se não ficar, pelo menos voltar em breve, para rever e conhecer mais. 



 Castelo no Batel

Enquanto isso, no atual estágio da humanidade...

25 de ago. de 2010

Manifesto de um estudante de Direito

Desde antes, bem antes, de ter a minha primeira aula no 1º ano da faculdade de Direito, eu já ouvia gracinhas e insinuações de amigos sobre a minha nova "condição": estudante de Direito.

"Olha, não vai ficar se achando não, hein"

"Hum, já era, o Weslley nunca mais vai ser o mesmo"

Desde cedo ouvia esse tipo de comentário generalista, que coloca todos os estudantes de Direito dentro de um saco fechado e diz: Veja, eles são um só. Bando de hipócritas que se acham superiores.

Será que é tão difícil assim individualizar as pessoas? Será que o comportamento de um ou outro indivíduo desnorteado merece a rotulação de toda uma coletividade?

Mas, sinceramente, não é isso que me incomoda.

O que me deixa mais "de cara" é a maneira como o a disciplina "Direito" é tratada. Estudantes de Biológicas e principalmente Exatas se gabam veementemente da dificuldade de seus cursos, da complexidade de suas contas intermináveis, da enorme quantidade de DP's e exames a que são submetidos. Para essa massa de sofredores (escravos do saber, que tem por algoz sua calculadora HP ou os mapas anatômicos em suas cartilhas para colorir) estudar Direito é fácil, quase que uma futilidade, pelo simples fato de que "é só ler, nem precisa pensar".


"É só ler, nem precisa pensar" ???

A falsa representação da realidade que eles tem é que me tira a sobriedade. Como assim, nem precisa pensar?


O fato de Direito ser uma matéria de cunho eminentemente teórico não significa que seus acadêmicos e profissionais devam se abster de raciocinar, de entender o que está se passando e de encontrar uma solução adequada para cada caso concreto.


Muito bem, vou tentar começar do início, e espancar esse retrato desgraçado da ciência jurídica.

17 de nov. de 2009

Um meteoro na Terra???


Não! Não foi um meteoro que caiu na Terra!!! Essa é apenas mais uma das crateras no asfalto da Universidade Estadual de Maringá!



Alguns chegam a meio metro de diâmetro. Perfeito para acabar com pneus e sistemas de amortecimento dos carros. Sem falar da arapuca que é para os ciclistas e motociclistas, que correm o risco de se estabanar no chão.


16 de out. de 2009

O Estado e a saúde pública

O Estado suprirá todas as necessidades do contingente populacional protegido em seu âmbito. Assegurará a todos condições mínimas de salubridade, tal como água tratada, dignas condições de saneamento básico, acesso irrestrito ao sistema de saúde e garantia de uma prolongada expectativa de vida... Seria até poético, se fosse verdade. O que se apresenta, na realidade, é um quadro bastante distinto desta ainda utópica conceituação de assistência estatal.


Mas, é certo, não podemos generalizar esta questão. Falemos então quanto aos Estados mais pobres. Ao Estado brasileiro, stricto sensu, está incumbida a tarefa constitucional da prestação, à população, dos direitos e garantias fundamentais a ela inerentes. Claro nos está que a saúde pública enquadra-se no rol destes assegurados “benefícios”.


O fato é que nem tudo está como deveria. Rotineiramente podemos ouvir notícias através dos veículos de comunicação que ditam exatamente a carência que o povo brasileiro sofre de saúde. O contato com tal realidade torna-se físico quando precisamos, pessoalmente, dos serviços oferecidos pelo Estado. O que notamos, desta forma, é uma bruta falta de recursos e, conseqüentemente, de operações; o sistema único de saúde perece, e perecem juntos aqueles que dele dependem.


É lamentável que o direito à vida, consagrado pela Magna Carta, seja tratado de tal maneira. É lamentável vermos filas com um número incomensurável de pessoas esperando por uma consulta médica. É inconcebível percebermos a aviltante quantidade de cidadãos hospedados nos corredores dos hospitais públicos, sem nenhuma discrição e sem espaço para reivindicação. Mas e a dignidade da pessoa humana? Como, então, falar em direito à intimidade em circunstância tão degradante, em que pacientes repousam durante dias em condições adversas de hospitalidade?


Esperar meses por exames, ou até anos por uma consulta com um especialista é, em muitos casos, algo que está além da faculdade vital humana. Muitas vidas se perdem pela incapacidade hospitalar, clínica e ambulatória encontrada em casos de necessidades. Muitas pessoas perdem suas vidas nas filas dos hospitais ou mesmo em casa, esperando por um telefonema em que lhe comuniquem o aparecimento de uma vaga para exame.


Quando falamos nas regiões mais pobres do país, a situação se agrava ainda mais. Exemplo típico são as pequenas cidades do sertão nordestino, situadas no interior de seus Estados (as províncias). Caso recente no noticiário foi o de um homem que quase perdeu sua vida pela ausência, na sua região, de médico cardiologista que lhe socorresse. A junta médica especializada se concentrava na capital do Estado, a centenas de quilômetros do interior abandonado. Cidades como essa não possuem estrutura mínima de saneamento básico, como água tratada e sistema coletor de esgoto. Isso dificulta a prevalência de uma saúde estável, uma vez que predominam doenças causadas por verminoses e outras do ramo nutricional, aumentando a porcentagem de mortalidade infantil, e freando a expectativa de vida dos mais velhos.


As unidades de saúde, tanto maiores quanto menores, em escala hierárquica, sofrem com a falta de profissionais capacitados, e o que se vê, muitas vezes, é a aplicação de uma maciça carga de trabalho sobre o ombro de poucos profissionais, o que aumenta a deficiência do sistema. Em muitos casos, o paciente é vistoriado apenas por enfermeiros, não alcançando o diagnóstico necessário oriundo de um médico. Nestes casos, habitualmente, um simples “paracetamol” é a saída, o que acaba por negligenciar a real situação clínica do paciente, podendo lhe causar até uma piora repentina.


É fácil observar que a demanda populacional pela saúde é maior que a oferta da mesma pelo governo. As entidades públicas prestadoras deste serviço têm ação restrita: ora pela falta de verbas ou equipamentos, ora pela excessiva carga humana demandante do serviço. Vale aqui citar o trabalho realizado pelo LEPAC, o laboratório da Universidade Estadual de Maringá, que lida com estudos e pesquisas em análises clínicas, oferecendo a realização de milhares de exames mensais e atendendo um aglomerado de centenas de pessoas por dia – não só de Maringá, mas de toda a região noroeste do Paraná.


Quanto à capacidade orçamentária do brasileiro, a Constituição Federal nos apresenta translucidamente a competência do salário mínimo. Nem tão transparente nos é a realidade: suprir as necessidades vitais básicas individuais e as de sua família, dentre elas moradia, educação, alimentação, higiene, transporte, previdência social e saúde, é algo praticamente irrealizável. A renda ínfima que sustenta milhões de brasileiros é absurdamente incompatível com os custos provenientes do acompanhamento médico e farmacêutico, quando reclamados juntos à iniciativa privada. Basta acompanhar o ritmo de vida que as pessoas mais pobres levam para se averiguar a impossibilidade de arcar com tal ônus.


A iniciativa privada hoje, aliás, desempenha importante função na sociedade. Apesar de grande parte da população não ter acesso a ela, muitos convênios são firmados entre as mesmas e empresas empregadoras de mão-de-obra, assim também para com o governo, que se utiliza de seus serviços para suprir a inexistência de órgãos públicos de saúde competentes para determinadas funções. Logo, pode-se conceber que tais usuários de serviços privados pagam duas vezes pela saúde: os impostos recolhidos pela rede pública mais a contribuição concedida à empresa privada.


Ademais, muitos profissionais da saúde são atraídos para trabalhar no campo privado, devido às melhores condições de labor e retribuição salarial superior àquela oferecida pelo Estado. Essa é uma das causas da imensa deficiência no quadro de funcionários do sistema único de saúde. Essa falta, acrescida ao excessivo número de demandantes, leva a saúde pública a uma situação de crise.


Pensando nesta situação, uma das saídas encontradas pelas autoridades da Secretaria Municipal de saúde de Maringá está sendo a criação de mutirões, visando diminuir sensivelmente as filas de espera por especialistas. O primeiro realizado foi com profissionais da oftalmologia quando, em parceria com o SUS, os médicos devidamente capacitados atenderam em seus consultórios pacientes necessitados. Os próximos mutirões previstos são de ortopedia e dermatologia, sendo esta última a detentora de um dos maiores números de arrolados para consulta.


A primeira experiência foi satisfatória, mas permanece a dúvida quanto às posteriores, por se tratarem de ramos da medicina que, muitas vezes, exigem tratamento prolongado. Assim, uma simples consulta, sem a continuidade cabida, seria quase que inútil.


Mesmo que haja sucesso com as medidas mencionadas, ainda restarão inúmeras brechas no sistema a serem tapadas. Como último exemplo vale citar, falando em Maringá, da atuação de profissionais da Urologia na rede pública. Atualmente, o SUS conta com um único médico para lidar com os enfermos, que soma seguramente, em toda região, mais de quinhentas mil pessoas. Um outro profissional do ramo atua apenas com os casos mais graves, relacionados ao câncer de próstata, e ainda assim dedica cerca de quatro dias por mês para tal.


Não caberia aqui discutirmos sobre a falta de ética ou não dos médicos que abrem mão da excessiva demanda da rede pública para atuarem em ramos privados. Tal questionamento refere-se ao Estado, que oferece baixos salários e condições desfavoráveis de trabalho para tais profissionais, condenando assim o SUS a um descaso quase que total.


Concluindo: a situação é realmente preocupante. E é difícil falar em direitos sociais mediante quadro social deplorável. E ainda ficam dúvidas no ar quanto à origem do problema: incompetência administrativa? Falta de recursos? Afinal, para onde vão, e como são aplicados, no caso concreto, os recursos do orçamento da seguridade social, obtidos mediante ação tributária da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios?


A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas. Literalmente, maravilhoso; na prática, uma vergonha.

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Escrevi este texto há um ano e meio, para o extinto jornal do CA de Direito, “Iuris et de Iure”. Até hoje não sei porque, mas foi cortado na última hora.

A propósito, hoje o SUS de Maringá não conta com NENHUM urologista. Quem estava na fila para dermatologista naquela época, provavelmente ainda não foi atendido.

24 de ago. de 2009

UEM debate retomada do projeto de trem de passageiros entre Maringá e Londrina





"A Universidade Estadual de Maringá recebe prefeitos e secretários dos municípios das regiões Norte e Noroeste do Estado para discussão do projeto de implantação do trem de passageiros entre Londrina e Maringá. O encontro será nesta quarta-feira, dia 26, às 14h30, no anfiteatro do Centro de Ciências Exatas (CCE), Bloco F-67, câmpus da UEM. A reunião será coordenada pelo presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, e terá a participação do Ministério dos Transportes, que será representado pelo diretor do Departamento de Relações Institucionais da Secretaria de Política Nacional de Transportes, Afonso Carneiro Filho.

Para a professora Ana Lúcia Rodrigues, do Departamento de Ciências Sociais, além de oportuno, o debate deverá ser bastante positivo. Rodrigues explica que a UEM terá participação no desenvolvimento do projeto através do Observatório das Metrópoles-Núcleo Regional Metropolitano. “A Ferroeste chamou as Universidades para serem parceiras no levantamento e diagnósticos urbanos e sociais que poderão contribuir para a consolidação da política de transporte na região”, salientou.

A Ferroeste é a empresa ferroviária do Estado do Paraná à qual cabe estimular o projeto, juntamente com as prefeituras e as universidades da região."


JÁ ERA HORA. E VALE LEMBRAR QUE ESTA ERA UMA DAS PROPOSTAS DA CAMPANHA ELEITORAL DO REQUIÃO.