18 de jul de 2011

Não deu... e agora?

Não saiu ainda o resultado da primeira fase do exame da Ordem, mas estou sem grandes expectativas. Sendo realista, não tenho muitas* chances.

E agora? O que fazer?



Simples: nada. Há o que fazer? Não... Ah sim, estudar e me preparar para o próximo, que tudo indica ser no final deste ano.



Nesta hora o sentimento de frustração vem. É inevitável. Aquele sentimento sombrio de que "não fui capaz"...

[...]

Me lembro perfeitamente do meu primeiro do vestibular, aos 17 anos, no final do terceirão. Minha pontuação ficou abaixo da média. Eu fiquei chateado, mas procurei dar o meu melhor no segundo. Aí, seis meses depois e com bastante esforço, superei centenas de candidatos e entrei pra galeria dos aprovados em Direito na UEM.



Ontem uma frase no twitter me fez refletir sobre a alta taxa de reprovação nos exames da OAB: o quesito "pressão" (@Abigobaldo)*. Pressão da faculdade, dos amigos, da família, e a do próprio candidato.



Incrível como a gente é 'coagido' a ser sempre o melhor né? Sabe, quanto àquele meu primeiro vestibular, em 2005, eu realmente achava que iria passar de primeira. Sem cursinho nem nada. E por quê? Porque algumas pessoas, e posso aqui citar especificamente minha querida professora "Dalua" (apelido dado por algumas pessoas de coração mau), diziam isso! Sim, desde a 7ª (SÉTIMA!) série já me falavam isso!



Entre os amigos, vizinhos e família eu sempre ouvi coisas semelhantes: "nossa, você é CDF", "CRÂNIO", "vai se dar bem na vida", "é a nossa esperança", "é o nosso exemplo", "tenho plena confiança em você"...



Como uma criança reage a isso??? Hã? Sem nenhuma maturidade emocional e já obrigada a conviver com responsabilidades que escolheram pra ela!



Isso é algo a ser pensado. É uma questão de revermos a maneira como criamos nossos filhos ou educamos nossos alunos. A droga da COMPARAÇÃO existe, e deve ser combatida.



Prova disso? Impossível não me comparar com meus amigos de faculdade que passaram e vão passar nesse Exame da OAB. Eles vão, eu vou ficar....



Até onde essa comparação é saudável? Até onde essa pressão, mesmo que interna, pode ir??



Não é tão simples assim. Não é matemático (no caso, 2 + 2 não são 4). Pessoas são seres complexos, dotadas de carga cultura e cognitiva individual. Não dá pra generalizar. Cada um reage de uma forma, cada uma pensa uma coisa. Cada ser tem princípios e valores próprios.


Aprendi que não devemos nos comparar aos outros, mas com o melhor que podemos ser. (autor desconhecido)


Olhe pra sua família. Você e seus irmãos são iguais? Pensam igual? Seus pais e seus tios, como são? Foram ou não criados juntos?



Generalizar pessoas (a 'coisa' mais sui generis que existe) é o nosso erro. Eu tenho uma formação específica, valores específicos, um pensamento específico. Uma maneira específica de aprender e lidar com as informações. Isso é fato.



Além do mais, existem dias e dias. Cada dia nosso estado de espírito está de uma forma: mais relaxado, mais apreensivo, mais confiante... As circunstâncias, e o funcionamento do nosso organismo, influem em nossa disposição!

Outra coisa que ouvi muito antes dessa prova foi "Nossa, pra fazer essa prova de R$ 200,00 tem que estar preparado, né"...

Aí eu te pergunto: O que é estar preparado? Hã? Ter estudado muito, decorado os 18.000 artigos? Só isso? Apenas isso conta? Como já disse, cada dia é um dia... Nosso emocional é fator decisivo na hora decisiva. E olha que pode ser o cara mais Nerd do mundo...


Quando a gente dá a cara a tapa, tem que se preparar, pois os tapas podem vir.


Errando é que se aprende. Não sei se esse bordão é totalmente correto, mas pra muitas coisas, ele se encaixa perfeitamente. Uma carreira pessoal e profissional de sucesso não surge de uma hora pra outra. Somos fruto de nossas experiências, de nossos acertos, e também das quedas. E isso, querendo ou não, acaba se aplicando a quase todas as áreas de nossas vidas.

[...]

Bom, o próximo exame deve ser em novembro ou dezembro. Não sei se vou fazer; e se fizer, não sei se vou passar. Não sei. Deus queira que sim.


Não quero agredir ninguém com isso. Quero apenas desabafar, me livrar do peso que não me pertence. Não quero viver assim. Não quero ser obrigado a ser uma estatística! Tenho valores próprios, experiências próprias, TENHO UMA VIDA PRÓPRIA, E NINGUÉM VIVE ELA POR MIM, SOMENTE EU MESMO!



Renunciar à carga. Renunciar ao fardo... CHEGA DE CULPA! Somos diferentes!



Não sou o melhor. E não é porque não passei de primeira nesse exame, como muitos (inclusive eu mesmo) queriam, que vou me tornar o pior. Entendam, perfeição não existe. To saindo expressamente dessa...



Espero ter ajudado alguem com isso. Mas se eu mesmo já tiver aprendido alguma coisa, já terá valido a pena...



"Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou." (Ec 3.1,2)


*Acrescentei algumas horas depois de publicar.

14 de jul de 2011

Papagaios



Já não é tarde, ainda não é noite
mas isso pouco importa...
O tempo continua claro, e eles continuam lá,
reinando acima de nós, acima de todo o pó sedimentado sobre os telhados,
acima de nossas aspirações e ilusões astutas.



O céu outrora azul brilhante já não é tão brilhante,
o astro rei se foi e a rainha surge no horizonte oposto,
em forma de um grande queijo albino,
destoando da beleza do dia que se vai,
semeando graça genuína na noite que vem...
E eles continuam lá, reinando, sem pressa de parar...



Reinando na imensidão desse azul envelhecido,
dessas novens cor-de-rosa, iluminadas pela luz tangente do astro rei,
essas nuvens como que artesanalmente pulverizadas,
a fim de compor um cenário divino.
Que maravilha!



Papagaios reinando: demontrando a alegria da infância,
o desapego que reina no ser humano, enquanto ainda é ser humano,
enquanto ainda se emociona com o fato de poder voar...
Que ousadia! Dança, vai e vem, é livre!!



Papagaios reinando... um, dois, tres... são mais de dez!
Reinando, livres a dançar na imensidão dessa abóbada tão terrestre.
Livres a ziguezaguear, no intuito de transmitir o desejo daqueles que os governam:
o anseio por liberdade, a vontade de voar e ser livre.