2 de dez de 2012

Estranhas demais

Querido diário, a última noite foi diferente. Tinha um vagalume dentro do meu quarto, que me distraiu firmemente até o momento de eu adormecer.

Ainda há pouco nosso cachorro comeu uma cigarra na cozinha, e eu fiquei torcendo pra ela cantar dentro do estômago dele.

Nossa água tá com um cheiro estranho. Talvez tenha um passarinho morto dentro da caixa d'água. Ou talvez tenha uma ninhada toda deles.

Na penúltima noite fui a um baile com DJ, mas o DJ abandonou o posto e deixou tocando sertanejo por metade do tempo. E o povo gostou.Cheguei em uma amiga pra conversar, mas ela achou que eu queria agarrá-la, e me deixou falando sozinho na pista. Levei um belo toco.

Meu armário tá cheio de biscoitos recheados caríssimos, e eu já to preocupado em não engordar mais e até bolando um Projeto Verão.

É, as coisas andam estranhas demais.

25 de nov de 2012

Cultivando em nós

Aprendi que solidão pode ser algo terrível.

Percebi que amigos podem significar muito mais do que pensamos que eles significam.

Entendi que família, por mais clichê que seja dizê-lo, é essencialmente parte do nosso próprio ser, e seria triste não a ter por perto.

Aprendi que nossos relacionamentos são mais que mero contato humano... são parte de nós, parte do que efetivamente somos. São nossa base de sustento.

Relacionamento com Deus. Relacionamento com pessoas. Que ninguém poderia viver só, absolutamente só, e ainda assim se considerar uma pessoa normal, e quem dera feliz.

Por isso compreendi que relacionamentos existem para serem cultivados. Que amigos, família e pessoas  devem ser amadas. Que eles são, de uma forma ou de outra, o motivo de continuarmos lutando, de continuarmos nossa breve existência nesse plano físico.

Ame mais. Doe-se mais. Brigue menos. Desentenda-se menos.

Perdoe, porque o  tempo é escasso, as pessoas são falhas e a existência pede compaixão. Seja feliz!






11 de nov de 2012

Tempo

Virar aquela esquina, às 18hs, com a mochila nas costas, caminhando rápido rumo ao ponto de ônibus. Crianças brincado, donas de casa conversando no portão ou assistindo a novela das 18hs, e o pessoal voltando com sensação de dever cumprido do trabalho ou do colégio. Exatamente como há 10 anos atrás, quando essas ruas, esse cheiro, essa dimensão  toda era parte de mim.

Atravessar a mesma avenida, cruzar pelo canteira central gramado, esperar naquele velho e sujo ponto, fazer as mesmas poses de espera. Essa era a minha vida!

Engraçado que eu já não tenho mais doze anos. Não sou mais aquele garoto de antes, e ao mesmo tempo, nunca deixei de ser. Aquele sou eu. Eu sou aquele, só que não exatamente.

O tempo pode ser bem confuso, né?

Passar por tudo isso me fez perceber o quanto o tempo pode passar sem que o notemos. Só sentimos seu poder quando, num momento ou outro inesperado, sentimos o cheirinho da comida ou da cera com que era limpo o chão daquela antiga creche; quando observamos o entardecer na calçada em que passamos toda a nossa infância; quando observamos que aquela flor cor-de-rosa e "ardidinha" ainda cresce, e ainda é ardidinha, e que crianças ainda podem mastigá-la. Só percebemos a magnitude do tempo quando passamos por situações semelhantes e concluímos: nossa, como o tempo passa rápido!

Então eu olho pra mim e percebo o quanto estou diferente. O quanto estamos. Como se fossem mundos diferentes. Só que não!

Me lembro de um verso de Shakespeare que diz que "Depois de algum tempo você aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam". Me lembro ainda de uma amiga dizendo que todas essas mudanças são necessária e inevitáveis pois essa é a "lei da vida". E como a vida nos leva por caminhos diferentes, não é?

Meus amigos de infância? Minhas professoras da escola, onde estão?

{...}
Na real, não sei muito o que quero dizer com isso tudo. Apenas quis registrar. Não desejo que o tempo seja amargo, intragável. Não quero me esquecer. Não quero abandonar as memórias daquela velha esquina, das partidas de esconde-esconde, das dissertações da 8ª série, dos MiniChickens que minha avó fritava para a janta com o sol ainda fora, no horário de verão.

Ainda ontem estava carregando os livros de física, química e história na mochila. Hoje estou aqui, comprando minha passagem às 23hs da noite para viajar amanhã no final do dia, em virtude do meu trabalho. Tanta coisa já aconteceu! E o engraçado é que estou aqui, neste momento, comendo do mesmo pão da minha mãe, aquele pão caseiro que ela costumeira faz aos sábados à noite, desde que eu me entendo por gente. Comendo quentinho, com a manteiga amarelada derretendo no pão! Ter consciência disso tudo me deixa, por agora, contente. E há em meu semblante um sorriso, por saber que nem tudo mudou em nós.

É bom parar, refletir, perceber.

O tempo muda as coisas.... mas não necessariamente todas elas. :)

Um viva à memória, e ao que essencialmente somos!

29 de out de 2012

Os versos que nunca dissera

Às vezes se passa a vida toda tentando ser forte, tentando ser intocável.
Tentando ser um guia, um modelo.

Tenta-se.

Mas nem sempre tudo sai como o esperado. Ou até sai, casos em que o esperado não é o que se devia esperar.

O fato é que os momentos de fraquejo e titubeação estão sempre aí, prontos para entrarem em ação. E você pode ser forte, ser líder, ser intransponível, mas sempre haverá na sua decisão o livre arbítrio: ceder ou não àquilo que está à espreita?

Não se pode ser forte o tempo todo. Pensar assim seria uma grande tolice. Quem é idiota o suficiente para pensar assim? E que é mais idiota ainda pra pensar que existe alguém que possa/deva se manter sempre assim?  

Às vezes você cansa, você tropeça, você cede. Você cede e conquista – ou perde – a tão almejada liberdade. E você chega num ponto que não sabe mais o que é liberdade, talvez porque a tenha em excesso em suas mãos e não saiba como usá-la. Aqui jaz a ironia de querer ser livre: livre pra quê? O que vai fazer com a liberdade que você alcançou?

E depois de tudo isso, você para e olha para todo o se passado, com todos os seus méritos, e para o seu presente. E você vê tudo embaralhado, você ri, você chora, você ironiza. Você duvida da vida e de tudo mais. Você esbraveja consigo mesmo por aquilo que você se tornou, e ao mesmo tempo justifica seus atos com base nas frustrações que te levaram até aí. E de novo volta a se achar um tonto. E de volta a achar que vai ficar tudo bem. E mesmo sem saber como será, acredita, num ato transloucado de fé, que tudo vai se ajustar...





25 de ago de 2012

Fora de lugar

Viajar cansa.
É uma rotina que ainda não estou acostumado. Mas creio que já estou me acostumando, tô ficando bom em fazer as malas HAHA
5hs de viagem é o bastante pra dar uma cansada no peão. Mas não é tão pesado pra mim não, principalmente quando se tem um tempo ali na poltrona para aproveitar pra relaxar, ficar naquele estágio sonolento de dorme/não-dorme, pensar na vida, ouvir uma boa música ou até assistir um episódio de uma série legal. Se temos que passar por isso, então que seja um tempo agradável.





Em casa [Maringá], meu quarto tá cheirando tinta. Na vdd é aquele cheiro que fica por permanecer muito tempo fechado.

Tá tudo diferente, mas tá igual.

Acho q é o efeito de 4 semanas longe. [2 + 2]

...Na primeira vez estranhei demais. Voltar a estar e a dormir no meu quarto mexeu muito comigo. Senti o peso de ficar longe e reencontrar tudo depois de 15 dias...

A coloração do ambiente tá diferente.

O clima tá diferente.

O banheiro tá estranho: a pia tá menor.

A Estrela tá maior e mais gorda, e nem me reconheceu rapidamente quando cheguei no portão. [depois ela me identificou e ficou toda-toda].

Tudo diferente!

Onde estooou?


Mesa nova no quarto novo

21 de ago de 2012

20 dias longe de casa

A vida longe de casa é... cansativa.
Não é fácil. Se acostumar a cada coisa nova, cada simples desafio do dia-a-dia pode ser complicado. Não que seja tão complicado, mas tudo é digno de apreciação: cada esforço, cada coisa que necessita de um gesto seu para dar certo. Enfim, agora não tem mais ninguém por perto para deixar as coisas em ordem pra mim.
Cozinhar, limpar, lavar, viver. Tudo individualmente, tudo de maneira independente. Se antes eu achava que morar num quarto separado da casa era sinal de independencia, hoje percebo o quanto estava enganado. Minha mãe estava sempre ali, meus pais sempre no controle, fazendo tudo. Eu só ia no embalo. Era absurdamente dependente e não percebia.
Hoje percebo. Aqui, há 160km de casa. Como era fácil a vida! Hoje a rotina é um pouco mais pesada. Como disse, tudo depende de mim. Nada acontece [incluindo aqui o feijão a ser cozido, a porta a ser trancada, as compras a serem feitas] sem que eu precise me mover em direção a isso. Nada! Será que isso é ser independente? Bom, se for, estou aprendendo a viver com isso.

Nesses primeiros 20 dias, fiquei por duas semanas com dor de cabeça.
A comida do restaurante acho q tava me fazendo mal
Agora estou fazendo minha propria comida..
Já fui pra casa, já revi minha familia, cadela e quarto e chorei de saudade
fiquei triste novamente por te-los q deixar
Já repensei minha volta pra cá, no domingo a noite
ouvi muitos conselhos
Já fui assediado no mercadinho da vila
me esqueceram na rodoviária de Paranavaí
rs
fizeram festa pra mim, pelo meu primeiro aniversário fora de casa
tive diarréia e fui pro hospital [aquilo que mais parece um açougue clandestino]
Já cortei a mão fazendo comida
Já aprendi a descongelar e recongelar um frango
Já comi um lanche sozinho na praça central, em pleno sábado à noite
etc.










8 de ago de 2012

Os dias em Loanda

Viver sozinho não é fácil! Acordar, cozinhar, limpar, trabalhar... ainda mais quando se faz tudo isso num lugar nova, numa cidade desconhecida, junto a pessoas desconhecidas.








Ainda to me acostumando com Loanda, esses 10 dias passaram rápido, mas parece q foi uma eternidade. É, nem eu entendo.

A cidade é menos pior que eu pensei, mas também não é tão melhor assim, diante de tudo que já tinha ouvido de ruim. É pacata, pequena, gente simples.


Ah, cheira a sítio. Sim, cheiro de mato.

Me sinto um ET aqui. As pessoas ficam me olhando, curiosas. Algumas nem disfarçam. Tem um mercadinho perto de casa que nem dá vontade de voltar lá: fui praticamente assediado pelas meninas que trabalham lá. "Sérião!"


Já conheci boa parte da cidade. Sou curioso. Acho que não mais que os próprios habitantes, mas enfim rsrs.



Já conheci vários estabelecimentos, tive que comprar cama, guarda-roupa, botijão de gás, modem, compras de mercado, etc.


Enfim. A presença de alguns amigos aqui tá ajudando muito. Deve ser horrível chegar num lugar novo sozinho, sem conhecer ninguém.

Sair de casa...

Não pensei que seria assim. Não imaginava que doeria tanto, mas fechar a porta de meu quarto vazio, num ato de 'adeus', e abraçar minha família, realmente me deixaram baqueado.


Sair de casa doeu muito. Mesmo com toda a expectativa da nova vida e do novo trabalho, com toda a segurança de alguém que já dorme separado da casa principal, mesmo com tudo isso, deixar o seio de meus pais foi algo muito penoso.

E arrumar as coisas? Cadê ânimo pra isso? Muito difícil, além do esperado.

Nunca pensei que teria que ser forte o suficiente pra segurar as lágrimas neste momento. Nunca pensei que teria que ser tão bom ator pra esconder aquelas que rolaram durante a viagem, quando percorria a rodovia que me levaria para longe. Os óculos de sol me ajudaram muito, mas não sei se pude enganar alguém. A mim mesmo não pude enganar: eu estava arrasado por dentro, aflito, machucado.

Deixar Maringá, lugar onde vivi por toda a minha vida, foi uma das tarefas mais difíceis pra mim. só não foi pior porque não tive medo disso. Deixei os receios para a véspera, e para o dia da partida. Querendo ou não, a tristeza disso tudo sempre esteve ali, em mim, e nestes dias, ela eclodiu, transformando-se em complexas lágrimas, que uniam a dor à esperança. 

Choro contido na viagem, mas incontido no novo lar, na solidão de quem agora assumira o ônus da independência.  Eu realmente amo muito minha família, meus amigos, minha cidade, e me dói pensar que minha mãe e familiares estão sofrendo longe de mim. Mas creio que isso é o melhor, neste momento.... E que vai valer a pena...

=/

Loanda, meu novo lar temporário.