28 de jun. de 2012

As dimensões da vida














Hoje foi um daqueles dias mágicos, em que encontramos aquela dimensão da vida que geralmente está meio oculta. 

Aquele momento em que você não pensa, simplesmente vive. Simplesmente se joga. Aquele momento em que não existe o peso existencial de nossa rotina, de nossos afazeres, de nossos deveres. Existe apenas o sorriso, a graça de contemplar e sentir a vida.

Aquele momento em que mesmo a dor parece coadjuvante. E acho que esse deve ser seu real papel: o de coadjuvante. Mera interferência, descreditada.

E então, olhando o sol, a grama, o vento e os jovens, pude perceber o quão mesquinha pode ser a dimensão em que normalmente vivemos. O quanto ela pode roubar de nossos dias e de nossa disposição em viver diferentemente. 

Foi isso. Um choque de dimensões: aquilo que é, e aquilo que poderia ser. 

E então eu me lembrei de tudo que vivi. De tudo que já sonhei. Das causas pelas quais guerreei. Essas mesmas causas que abandonei durante o percurso, talvez por me deixar sufocar pela realidade mórbida e cinza que a rotina nos imprime.

Uma dimensão áspera e amargamente monotônica em conflito com uma dimensão colorida e vivaz. Tipo um duelo, um conflito, uma dança no ar entre duas realidades diametralmente opostas. E eu, do alto de meu assento, na sombra daquela magnânima árvore, apenas contemplando.

E eu gostei. Curti. Contemplar o embate foi ótimo. 

Estar algumas horas naquela dimensão que  nos permite "ser", na plenitude de nossa existência, foi o que de melhor me aconteceu nos últimos tempos.

Olho pra trás e percebo o quanto perdi, por viver limitado numa dimensão de mesmice, culpa, monotonia e desalento. Mas hoje me lembrei que existe algo que vai além de tudo isso. Além do medo, da amargura, da desesperança, da rotina, da agenda, dos compromissos, da falta de compromissos, da indiferença e da dor.

Hoje, pelo menos hoje, posso escolher em qual dimensão estar. E assim posso reconhecer que mesmo que a dor do momento seja inevitável, o sofrimento, todavia, há de ser opcional. Sim, é isso.

Hoje eu escolhi ser feliz.



26 de jun. de 2012

Tributo ao Pr. Paulo Henrique Petruco

As palavras nunca seriam suficientes. Tampouco as lágrimas. Por maior que sejam nossos esforços, jamais nos esforçaremos o bastante para retribuir tudo aquilo o que ele fez por nós. Certamente que neste momento as emoções estão potencializadas, e o pranto daqueles que o amam há de ecoar por muitas partes de nossa nação. Essa é a dor de perder um referencial, um amigo, um pai.

Não se trata de santificar um homem em virtude de sua partida. Até porque a humanidade nele era tão presente que não nos permitia esquecer que ele era como nós: falho, pecador, dependente da graça de Deus para acertar cada um de seus passos. Também não se trata de ressaltar com veemência seus acertos e erros. Todos nós erramos, todos nós acertamos. São poucos, todavia, aqueles que tem a dignidade de reconhecer isso: reconhecer a dimensão de sua limitação humana e de sua eventual e constante falibilidade, e, ainda assim, prosseguir confiante e certo do brilho da Salvação concedida a nós por meio de Cristo Jesus.


A vontade de viver, de conquistar, de amar a Deus acima de todas as coisas, isso tudo era fascinante nele! Sempre rodeado de problemas, de pouco caso e indisposição que vinha de todos os lados. Ainda assim, mesmo em tempos de desesperança, sempre encontrava forças para se levantar, e assumir seu lugar no Reino. Sua destreza para lidar com a adversidade e o negativismo nos encantam, até hoje!

Esse era seu diferencial! Ele reconhecia suas limitações, as limitações dos membros de sua igreja, mas ainda assim ousava pensar adiante. Ousava agir e recomeçar, quantas vezes fosse necessário. As limitações nunca o limitaram, e prova disso era que mesmo doente, insistia pra estar na no templo, pregando a Palavra dAquele que o chamou. Insistiu em celebrar as bodas de seu filho mais velho, mesmo sem ter forças para permanecer em pé, demonstrando seu amor e vocação nos momentos de maiores lutas.

Raros eram os sermões em que não se emocionava ao falar do amor de Deus por nós. Jamais se envergonhou por chorar no púlpito durante suas pregações. Esse era seu chamado, essa era sua vida: pregar o Amor dAquele que o resgatou, e resgatar vidas presas nas amarras da ignorância, independente das circunstâncias, independente de preço a ser pago.


Seu conhecimento, rapidez e sagacidade eram de espantar! Percebia os movimentos estranhos e, mesmo aquilo que ainda não havia sido comunicado ele era capaz de visualizar. Quantas vezes se adiantou às informações e surpreendeu aos seus discípulos! Era incrível sua capacidade de percepção e seu humor para lidar com sua equipe. Um grande entusiasta!

Seus atos de renúncia em prol do coletivo demonstram, nitidamente, o seu grande amor pela obra.  Bastava parar para o observar de longe para perceber que sua entrega era incondicional. Seus atos por trás dos bastidores falavam isso. Sua persistência. Seu anonimato, muitas vezes. E ele permaneceu fiel ao seu rebanho até o fim, mesmo muitas vezes sendo incompreendido e julgado.

Ficam aqui palavras de carinho à família, à igreja, e aos amigos. Que possamos, crendo que Deus está acima de todas as coisas, continuar essa caminhada, com nossos olhos fixos no Reino de Deus e sua Palavra.

Pastor, amigo, pai, irmão, grande entusiasta e referencial na fé. Impossível descrevê-lo com perfeição. Tudo o que se pode dizer agora é: esteja em paz Pr. Paulo, nós te amamos e tudo o que vivemos VALEU A PENA!




Há oito anos atrás, em nosso primeiro contato, não poderia imaginar o distância de nossa caminhada juntos. Era algo inimaginável, assim como é, hoje, o fato de aceitar que ele não está mais entre nós.


Talvez poucas pessoas tenham acreditado tanto em mim, e apostado no meu potencial, como esse homem de Deus. Mais até mesmo do que eu. Sou eternamente grato por isso. Grato pelo meu batismo, pelas palavras de fé e esperança, e por seu amor tão genuíno. Amo você, pra sempre.

23 de jun. de 2012

Houve dias...

Já houve dias normais. Não que a normalidade seja algo tão facilmente alcançável, mas em certas situações tudo fica tão corriqueiro que ela dá o ar da sua graça.

Já houve dias felizes. Dias em que a vitória foi o prato principal, e as circunstâncias adversas não eram mais do que opções insossas e ignoradas do menu. Dias em que a graça de existir pôde, sem nenhum obstáculo, se manifestar, levando o público dessa grande peça chamada VIDA ao apogeu da completude.

Já houve dias tristes. Dias maus. Momentos em que deitar a cabeça e aguardar pela manhã seguinte era a opção que sobrava; quando, ainda assim, se podia acreditar que as tribulações nunca passariam de entraves leves e momentâneos.

Houve momentos de relaxar. De cantar, de sorrir. De ignorar e ser ignorado. De agir e conquistar. De deixar passar e superar a adversidade. De força.

Mas estes dias são atípicos. Dias de lutar contra a confusão, o medo. Contra a informação. Contra a impaciência e a intolerância. Dias de luta. Às vezes não.... A inconstância talvez seja um grande carrasco. Não saber pode doer muito.


E o amanhã? Talvez a opção correta seja lutar pra que não seja tão obscuro.