25 de nov de 2012

Cultivando em nós

Aprendi que solidão pode ser algo terrível.

Percebi que amigos podem significar muito mais do que pensamos que eles significam.

Entendi que família, por mais clichê que seja dizê-lo, é essencialmente parte do nosso próprio ser, e seria triste não a ter por perto.

Aprendi que nossos relacionamentos são mais que mero contato humano... são parte de nós, parte do que efetivamente somos. São nossa base de sustento.

Relacionamento com Deus. Relacionamento com pessoas. Que ninguém poderia viver só, absolutamente só, e ainda assim se considerar uma pessoa normal, e quem dera feliz.

Por isso compreendi que relacionamentos existem para serem cultivados. Que amigos, família e pessoas  devem ser amadas. Que eles são, de uma forma ou de outra, o motivo de continuarmos lutando, de continuarmos nossa breve existência nesse plano físico.

Ame mais. Doe-se mais. Brigue menos. Desentenda-se menos.

Perdoe, porque o  tempo é escasso, as pessoas são falhas e a existência pede compaixão. Seja feliz!






11 de nov de 2012

Tempo

Virar aquela esquina, às 18hs, com a mochila nas costas, caminhando rápido rumo ao ponto de ônibus. Crianças brincado, donas de casa conversando no portão ou assistindo a novela das 18hs, e o pessoal voltando com sensação de dever cumprido do trabalho ou do colégio. Exatamente como há 10 anos atrás, quando essas ruas, esse cheiro, essa dimensão  toda era parte de mim.

Atravessar a mesma avenida, cruzar pelo canteira central gramado, esperar naquele velho e sujo ponto, fazer as mesmas poses de espera. Essa era a minha vida!

Engraçado que eu já não tenho mais doze anos. Não sou mais aquele garoto de antes, e ao mesmo tempo, nunca deixei de ser. Aquele sou eu. Eu sou aquele, só que não exatamente.

O tempo pode ser bem confuso, né?

Passar por tudo isso me fez perceber o quanto o tempo pode passar sem que o notemos. Só sentimos seu poder quando, num momento ou outro inesperado, sentimos o cheirinho da comida ou da cera com que era limpo o chão daquela antiga creche; quando observamos o entardecer na calçada em que passamos toda a nossa infância; quando observamos que aquela flor cor-de-rosa e "ardidinha" ainda cresce, e ainda é ardidinha, e que crianças ainda podem mastigá-la. Só percebemos a magnitude do tempo quando passamos por situações semelhantes e concluímos: nossa, como o tempo passa rápido!

Então eu olho pra mim e percebo o quanto estou diferente. O quanto estamos. Como se fossem mundos diferentes. Só que não!

Me lembro de um verso de Shakespeare que diz que "Depois de algum tempo você aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam". Me lembro ainda de uma amiga dizendo que todas essas mudanças são necessária e inevitáveis pois essa é a "lei da vida". E como a vida nos leva por caminhos diferentes, não é?

Meus amigos de infância? Minhas professoras da escola, onde estão?

{...}
Na real, não sei muito o que quero dizer com isso tudo. Apenas quis registrar. Não desejo que o tempo seja amargo, intragável. Não quero me esquecer. Não quero abandonar as memórias daquela velha esquina, das partidas de esconde-esconde, das dissertações da 8ª série, dos MiniChickens que minha avó fritava para a janta com o sol ainda fora, no horário de verão.

Ainda ontem estava carregando os livros de física, química e história na mochila. Hoje estou aqui, comprando minha passagem às 23hs da noite para viajar amanhã no final do dia, em virtude do meu trabalho. Tanta coisa já aconteceu! E o engraçado é que estou aqui, neste momento, comendo do mesmo pão da minha mãe, aquele pão caseiro que ela costumeira faz aos sábados à noite, desde que eu me entendo por gente. Comendo quentinho, com a manteiga amarelada derretendo no pão! Ter consciência disso tudo me deixa, por agora, contente. E há em meu semblante um sorriso, por saber que nem tudo mudou em nós.

É bom parar, refletir, perceber.

O tempo muda as coisas.... mas não necessariamente todas elas. :)

Um viva à memória, e ao que essencialmente somos!